Deixa-me amar-te enquanto ferve vermelho
este amor que me rasga o peito
tentando fugir por onde foge o sentido.
Deixa-me amar-te por tempo indefinido
que é o que posso prometer-te neste momento,
neste instante de vida.
Agora...
Deixa-me viver em falso equilíbrio !
sábado, 11 de setembro de 2010
Então liberta a lágrima de pai
Em mãos avulsas de verdade e trabalho
ajeita um homem seu filho.
É pequeno e não chora.
Não ri.
Dorme.
E tem na presença o tamanho da comoção.
O homem olhando-o emociona-se
e sente que a vida se atiça
Em subtis vagares
ou súbitos lampejos!
Então liberta a lágrima de pai,
de filho,
de alguém que se sente ridículo para enfrentar o mundo
e defender aquela vida que jaz inconsciente no berço de vimes.
ajeita um homem seu filho.
É pequeno e não chora.
Não ri.
Dorme.
E tem na presença o tamanho da comoção.
O homem olhando-o emociona-se
e sente que a vida se atiça
Em subtis vagares
ou súbitos lampejos!
Então liberta a lágrima de pai,
de filho,
de alguém que se sente ridículo para enfrentar o mundo
e defender aquela vida que jaz inconsciente no berço de vimes.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Deixaste de ser...
Abraço-te em silêncio pra não te deixar escapar.
Afastas-te.
Olhas-me e dizes sem rodeios
que tudo é verdade.
Tens o pensamento sôfrego de lembranças...
Que dizes de sermos dois sem sentido?
De não sermos um par escolhido?
Que dizes das montanhas que se levantam
e da teoria expressa pelas matérias do mistério
em que se guarda uma alma?
Purguei-me insensato de tudo
porque tudo o que quis foi verdade.
Tão contrário é a vontade de ser
que o querer não reage.
Morrem pássaros na floresta distante.
Há uma rocha que cai e quebra em ponto de sina.
Ouve alguém que ousou tudo em negra tinta
e teve a sorte amarga da consciência.
Morreram os dois de mim
dentro do espaço lasso que é o passado
- a memória!
Deixaste de ser…
Afastas-te.
Olhas-me e dizes sem rodeios
que tudo é verdade.
Tens o pensamento sôfrego de lembranças...
Que dizes de sermos dois sem sentido?
De não sermos um par escolhido?
Que dizes das montanhas que se levantam
e da teoria expressa pelas matérias do mistério
em que se guarda uma alma?
Purguei-me insensato de tudo
porque tudo o que quis foi verdade.
Tão contrário é a vontade de ser
que o querer não reage.
Morrem pássaros na floresta distante.
Há uma rocha que cai e quebra em ponto de sina.
Ouve alguém que ousou tudo em negra tinta
e teve a sorte amarga da consciência.
Morreram os dois de mim
dentro do espaço lasso que é o passado
- a memória!
Deixaste de ser…
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Saber-me falso
Confirma-se na alma
uma sombra de sinal que eleva,
à estupidez consciente,
uma personalidade controlada, amável!
Custa-me sempre pensar em máscaras
mas dou por mim olhando profissionalmente
para um grupo desses mentirosos conceituados
e sinto que há alguma franqueza!
Por quererem fingir encontram-se e são menos falsos
os gestos que encaram nesse instante.
Deixa-se um mundo fruir e subitamente somos psicóticos...
Quis voar e dei por mim humano.
uma sombra de sinal que eleva,
à estupidez consciente,
uma personalidade controlada, amável!
Custa-me sempre pensar em máscaras
mas dou por mim olhando profissionalmente
para um grupo desses mentirosos conceituados
e sinto que há alguma franqueza!
Por quererem fingir encontram-se e são menos falsos
os gestos que encaram nesse instante.
Deixa-se um mundo fruir e subitamente somos psicóticos...
Quis voar e dei por mim humano.
sábado, 29 de maio de 2010
Tornou o meu peito em vida
Tornou o meu peito em vida
deixado nos caminhos a ida
de uma viagem sem itinerário…
O sentido da confusão.
Aclaram-se em ideias pensamentos
sobre vazios circunstanciais.
Assim procuro-te nas madrugadas
quando o orvalho ainda é fresco e virginal
e as horas permitem sonhos.
Mas a luz cresce e não sei fugir.
Dentro de cada sombra vejo segredo,
em cada flor emoção!
Por cada paisagem anseio
sendo a alma, em vida, expressão…
deixado nos caminhos a ida
de uma viagem sem itinerário…
O sentido da confusão.
Aclaram-se em ideias pensamentos
sobre vazios circunstanciais.
Assim procuro-te nas madrugadas
quando o orvalho ainda é fresco e virginal
e as horas permitem sonhos.
Mas a luz cresce e não sei fugir.
Dentro de cada sombra vejo segredo,
em cada flor emoção!
Por cada paisagem anseio
sendo a alma, em vida, expressão…
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O desassossego do meu íntimo
Sinto que a moralidade em mim encontrou caminhos tão profundos e alojamentos tão fixos que nem mesmo naquilo que seria a plena liberdade de mim encontro espaço para ser sinceramente único no meu modo de agir. Há sempre nos meus sonhos resquícios sociais que me impedem de imaginar livre e quando os não há é porque antes deles a realidade, de tudo isto a que chamam Mundo, me despertou.
Aconteceu-me que, hoje, visitando um mosteiro acompanhado por Ricardo Reis e um velho monge, centrei atenções nos cuidados do artista ao representar uma jovem mulher num dos painéis de azulejos. Penso ter deixado algo de mim nesse painel, azul - não saudade.
É-se culpados quando em consciência os actos se desenham mas há um nível quase incosciente, talvez um ponto de equilíbrio, onde muitas vezes encontramos alguma coerência no mundo sem a culpa que sempre nos encontra e castiga. Digamos que uma penunbra do social pensar. Então, sabendo flutuar nesse nimbo do intelecto abusei da “desculpa” pra ensaiar uma vida partilhada. Trouxe Ofélia ao pensamento, assim, pela pregnância que encontrei na jovem representada. Provavelmente foi assim que tudo se desencadeou, com uma imagem analógica mas sei que já em mim havia esse pensar suspenso e sobre ele um medo inaudito.
Por, não sei quanto tempo, deixei que o meu pensamento deânbola-se por aquele quadro, deixei que cria-se e torce-se todos os pontos em que sempre pensei, um dia, mudar a vida e nunca o fiz; deixei-a, enfim, escrever uma história que nunca será, por, mim publicada.
Encontrei-me, subitamente, num outro lugar, noutro espaço que não me era estranho, contudo, novo, diferente.
Aquela rapariga era agora o meu desejo, a minha ânsia e no momento em que abandonou o seu grupo, segui-la. Levou-me a uma casa de novas formas e, na entrada, convidou-me a acompanha-la.
Nunca me tinha ocorrido o quão fácil se torna o amor quando as palavras são dispensadas evitando sentimentos que realmente não se sentem e restringindo actos que queremos realizar mas não o fazemos porque dissemos ser amantes sérios.
Amamo-nos sem qualquer noção de censura, sem qualquer desejo reprimido. Fui o melhor dos amantes ao entrar calado na casa e manter o silêncio num dos seus quartos. Gestos simples bastavam para compreender-mo-nos e, aos poucos, uma linguagem que nunca utilizamos tornou-se supérfula, mesmo pra mim que sempre a procurei para me poder exprimir.
Mas essa utopia terminou...
A humanidade surgiu abruptamente
de um cenário que não projectei para fantoches
e onde sempre me encontraram.
Surgiu uma sociedade condensada num único ser negro que vestindo uma moral suja de dourados trazia consigo as leis traçadas como chicotes rudimentares. Chamaram por mim e voltei a mim, assim, repentinamente, como quando se acaba a morfina a um paciente e ninguém sabe se o deve matar pra não sofrer ou ignorar seus gritos.
Não raras vezes, encontro-me num quarto sem cor nem tamanho com uma porta fechada forçosamente sempre que lá entro; tenho lá todos os sonhos mais vagabundos e desatinados; lá guardo todos os parâmetros para uma humanidade futura que sei nascerá, de novo, contraditória..
Nunca existe um momento em que o ser humano consiga distender a imaginação por inteiro por isso contento-me nesse quarto sonhando sobre os sonhos. Nunca a alma é pura,(se nesse estado pode existir), poque formou-se em sociedade e só com as suas convenções é que se encontra a si mesma e se recoloca intimamente. Seria alucinogênico viver assim.
Nada foi dito e abandonamos o mosteiro em silêncio.
Não sei se quero continuar a encontrar-me com Ofélia!
Aconteceu-me que, hoje, visitando um mosteiro acompanhado por Ricardo Reis e um velho monge, centrei atenções nos cuidados do artista ao representar uma jovem mulher num dos painéis de azulejos. Penso ter deixado algo de mim nesse painel, azul - não saudade.
É-se culpados quando em consciência os actos se desenham mas há um nível quase incosciente, talvez um ponto de equilíbrio, onde muitas vezes encontramos alguma coerência no mundo sem a culpa que sempre nos encontra e castiga. Digamos que uma penunbra do social pensar. Então, sabendo flutuar nesse nimbo do intelecto abusei da “desculpa” pra ensaiar uma vida partilhada. Trouxe Ofélia ao pensamento, assim, pela pregnância que encontrei na jovem representada. Provavelmente foi assim que tudo se desencadeou, com uma imagem analógica mas sei que já em mim havia esse pensar suspenso e sobre ele um medo inaudito.
Por, não sei quanto tempo, deixei que o meu pensamento deânbola-se por aquele quadro, deixei que cria-se e torce-se todos os pontos em que sempre pensei, um dia, mudar a vida e nunca o fiz; deixei-a, enfim, escrever uma história que nunca será, por, mim publicada.
Encontrei-me, subitamente, num outro lugar, noutro espaço que não me era estranho, contudo, novo, diferente.
Aquela rapariga era agora o meu desejo, a minha ânsia e no momento em que abandonou o seu grupo, segui-la. Levou-me a uma casa de novas formas e, na entrada, convidou-me a acompanha-la.
Nunca me tinha ocorrido o quão fácil se torna o amor quando as palavras são dispensadas evitando sentimentos que realmente não se sentem e restringindo actos que queremos realizar mas não o fazemos porque dissemos ser amantes sérios.
Amamo-nos sem qualquer noção de censura, sem qualquer desejo reprimido. Fui o melhor dos amantes ao entrar calado na casa e manter o silêncio num dos seus quartos. Gestos simples bastavam para compreender-mo-nos e, aos poucos, uma linguagem que nunca utilizamos tornou-se supérfula, mesmo pra mim que sempre a procurei para me poder exprimir.
Mas essa utopia terminou...
A humanidade surgiu abruptamente
de um cenário que não projectei para fantoches
e onde sempre me encontraram.
Surgiu uma sociedade condensada num único ser negro que vestindo uma moral suja de dourados trazia consigo as leis traçadas como chicotes rudimentares. Chamaram por mim e voltei a mim, assim, repentinamente, como quando se acaba a morfina a um paciente e ninguém sabe se o deve matar pra não sofrer ou ignorar seus gritos.
Não raras vezes, encontro-me num quarto sem cor nem tamanho com uma porta fechada forçosamente sempre que lá entro; tenho lá todos os sonhos mais vagabundos e desatinados; lá guardo todos os parâmetros para uma humanidade futura que sei nascerá, de novo, contraditória..
Nunca existe um momento em que o ser humano consiga distender a imaginação por inteiro por isso contento-me nesse quarto sonhando sobre os sonhos. Nunca a alma é pura,(se nesse estado pode existir), poque formou-se em sociedade e só com as suas convenções é que se encontra a si mesma e se recoloca intimamente. Seria alucinogênico viver assim.
Nada foi dito e abandonamos o mosteiro em silêncio.
Não sei se quero continuar a encontrar-me com Ofélia!
“Tem-me perseguido, como um ente maligno, o destino de não poder desejar sem saber que terei que não ter.”
Bernardo Soares
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Prelúdio
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche
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