terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Nunca soube disfarçar...

Nunca soube disfarçar
a saudade em frente a um espelho!
Reflicto sobre mim mesmo, cópia,
algo que se desdobra em redobrado anseio.
Não te encontro...


Imagino desenhar, com a mão,
a silhueta do teu corpo em penumbra,
sabendo de cores
apenas aquelas que a tua respiração permite.


Nunca te sei fazer ficar para além da noite...


Volto ao espelho,
em reflexo,
repetindo o sentido,
e lembro-me porque o faço
sem encontrar na resposta, coerência.

Caminhei...

Caminhei em silêncio
ao longo da rua nocturna.
Entendi como a distância nos pode encontrar
quando o sentido é vago.


Esperei sentir em mim a vida nova de quem renasce.
Chegaste.


Abraças-te-me a intimidade
com o coração.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Palavras...

Palavras pequenas fazem grandes os pensamentos
então calei-me ao olhar-te.

Não sei...

Não sei recordar as palavras
porque talvez as nunca tenha dito.
Mas guardo, ainda,
o estoicismo sarcástico
que disse dedicar ao amor.

Surpreende-me...

Surpreende-me a persistência da tua memória!
Como se para viver
precisa-se de te recordar.
Lembrar ao coração por que bate.


Torna-se vital amar-te de imediato.
Celebrar na confissão de um beijo
tudo o que nunca pensamos um do outro.
Celebrar um sorriso cada vez mais íntimo e próximo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sometimes...

Gera-se raiva...

Gera-se raiva
dentro do som das tuas últimas palavras!
Procuro esconde-la,
evita-la ao nosso mundo,
(se ainda acreditas nele),
mas não consigo.


Cai sobre o vazio que deixaste
uma breve poalha de sentidos,
uma loucura expansiva,
uma vontade, sem nexo, de adormecer
e não mais acordar,
triste. 


Nunca soube conquistar-te pelos gestos...
E a escrita 
nunca alcançou a paz que eu procurei,
por nós,
em mim.

Só não enloqueço...

Só não enloqueço
porque outros me perguntarão
- porque o fizeste?
Nunca fui de explicações
nem desenhos mentais.

Conta...

Conta ao mundo tudo o que não me lembro.

A bala negra

A bala, negra,
ignora o desejo.
Encaminha-se
desatinada à minha cabeça!

O gesto infecundo que procura...
A minha atenção inteira
tenta a vida
olhando a fotografia cinzenta de ambos.

Foi este o jogo de luz e sombra
que deus ousou quando o criamos.

Escrevo

Tenho-me perguntado
com considerável frequência
que procuro realmente,
cego,
sendo ingénuo como uma criança
a quem prometeram dias de sol.

Escrevo pensando encontra-te, talvez,
mais próxima nestas linhas
mas acho-me oco e só
e não quero pensar mais.

Tenho. na garganta, toda a pressão do mundo.
Provavelmente cegarei de lágrimas...

Então páro de escrever.

Coloco nas palavras...

Coloco nas palavras
metáforas de verdade em vida
e a distância exacta
para não me ferir a mim mesmo.

Existe em mim crescendo

Existe em mim crescendo
um desconforto por dentro.
O rigor das respirações tornam-me banalmente vivo
e parece-me a situação horrivel.

Não posso crer na vida
sem um norte ou raiz...

Algo em mim que acalme os sentidos
e oriente a incapacidade de te ter
para um problema menos existencial.

Amante da escuridão

Muitas vezes tardava a noite,
consciente,
e eu acendia um cigarro junto à janela.
Fui sempre amante da escuridão.

O fumo dissipava-se no ar
subindo.
Nessas horas as memórias
são todas vagas e volateis.
São quase sonhos.
Lembrei-me de ti tantas vezes...

Imagino que juntos
no meio das palavras e dos sentidos
encontremos uma entoação capaz e sóbria.
Um discurso a tanto adiado.

A leitura deste pensamento
sempre aconteceu em delírio
mas teve a base do real
e o fim sumário de um esquecimento

Este é o mar

Este é o mar que nos separa.
Lembrei este pensamento
de memória
de quando entramos na praia.

As ondas voltam atrás
para renascerem no abraço do oceano.

Pensei nelas.

À nossa volta...

À nossa volta
o vento soprava cuidadosamente
até se deixar morrer na distância.
Soprava sem vergar as folhas leves,
sem dobrar as flores simples.
Soprava sem movimento algum,
sem ser ele mesmo.

Aquela manhã tinha sido inventada para nós
e as amoras que apontamos.

O sol trazia consigo uma luz vagabunda
e nós
um balda vazio
porque as amoras nunca foram a razão.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Queria...

Queria ter-te por entre os braços
e poder sussurra-te ao ouvido
aquilo que o meu peito sofre
por não sentir o teu,
próximo.

Caminhamos sem se encontrarem as nossas mãos.
Nunca soube falar em amor...

Como dizer-te

Como dizer-te
que a distância é azul
sem dizer - sinto a tua falta!

Como dizer-te
sinto a tua falta
sem dizer que te amo?

Decidi

Decidi por um caminho alheio.
Diferente o caminhar.
Caminhar.
Seguir o que nunca se procurou
em querendo sonhar, existir.
Relembro a solidão!

Voltei em esforço aquela praia.
Já não te quis procurar
nesta tentativa em desistência.
O mar murmurava
recolhendo cada vez mais a si as ondas.

Já não sei sonhar-te.
Adormeço sempre em agonia.

Sonho

Sonho.
Sonhei-te de novo!
Sonho sempre
quando a realidade é menos própria.
Só no sonho encontro
o abraço que nunca me quiseste dar.

É assim...
Encontro as melhores memórias de ti
afastadas da consciência.
Guardo o sono.

Tudo o que agora escrevo é falso
e tem a pretensão de uma confissão
que nunca quiseste aceitar.

Quando voltei...

Quando voltei a casa
fui à janela fumar um outro cigarro.

Não quis amar mais ninguém.

Quis correr e uma vez tropecei

Quis correr e uma vez tropecei
caindo pelo tempo.

Ergui-me em vão reflexo,
(soube sempre que cairia),
tornando a cair sem acção contrária.

Sonho que caio novamente.
Nãos sei encontrar equilíbrio!
Sorriu do ridículo em que me enquadro sempre
ao levantar-me.
Não sei reagir
e caio novamente no sonho repetido.

Parei olhando a pedra que recolhi
e não existias,
ali.

O Caminho

Demos as mãos olhando para fora.
Agora todos saberão - disseste -
e fomos transbordando
até onde o cais nos deixou.

O teu olhar enchia o caminho,
sorrindo.
Andamos por ali sem mais que achar,
sendo, um par de mãos unidas.