Guardo junto à janela a minha atenção para rua. Faz frio e demoras.
Desperto o cuidar sempre que um vulto surge ao fundo da calçada. Mas percebo que não és tu e suspiro de novo.
Demoras! Nunca sei esperar-te e hoje tenho tanto para te contar...
O relógio parou na parede e a sua sombra é visível no escuro da sala. Resta do seu tempo o tempo de o concertar enquanto não chegas. Não o faço. Não quero! Espero-te esta noite. Espero para te amar, como quem tenha voltado à superfície depois de quase se perder num oceano profundo.
Pousei junto do livro que lias uma chávena quente de café. Ainda está morna mas morre e tu não chegas. E eu, suspenso, aguardo o silêncio rompido pela tua chave na porta.
Demoras porque me fazes falta e eu não te sei esquecer.
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