Distingo
agora um vulto diferente. Perdi de novo os óculos no escritório mas sei que és
tu! Caminhas leve por entre a poalha breve da chuva, sem pressa, sem vagar, sem
procurar outro pensamento que chegar a casa. Pensarás em mim?
A
minha pele ganha um despertar suave e não sei se devo esperar-te junto à porta
com um beijo. Parece-me a acção desajeitada para quem sempre te teve alheada.
Já não sei quem sou, porque me tens preocupado deste modo… Despertei da dormência da realidade, aprendi a ver por entre o infinito?
Amo-te!
Surge-me
agora a palavra desentendida, densa, desalinhada com a entoação com que a
segredei neste silêncio. Não sei desconstruir o murmúrio que se criou no vazio dos passos que dou em volta. A ensurdecedora noção de vulnerabilidade perante alguém.
Amo-te!
Não sei calar essa voz que é minha sem permissão.
Amo-te!
Não sei calar essa voz que é minha sem permissão.
Amo-te!
Tenho medo da luz e recuo da janela para a escuridão de um recanto. Olho a sala calada em silêncio e espero que chegues.
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