terça-feira, 9 de outubro de 2012

Enquanto não chegas 2


Escrevi o teu nome no vidro transpirado da janela. As gotas escorrem dele com a gravidade que merecem as lágrimas frias. Ainda chove mas não chega para molhar a solidão cá dentro. Espero-te sentado longe de mim.

Distingo agora um vulto diferente. Perdi de novo os óculos no escritório mas sei que és tu! Caminhas leve por entre a poalha breve da chuva, sem pressa, sem vagar, sem procurar outro pensamento que chegar a casa. Pensarás em mim? 
A minha pele ganha um despertar suave e não sei se devo esperar-te junto à porta com um beijo. Parece-me a acção desajeitada para quem sempre te teve alheada. Já não sei quem sou, porque me tens preocupado deste modo… Despertei da dormência da realidade, aprendi a ver por entre o infinito? 
Amo-te!
Surge-me agora a palavra desentendida, densa, desalinhada com a entoação com que a segredei neste silêncio. Não sei desconstruir o murmúrio que se criou no vazio dos passos que dou em volta. A ensurdecedora noção de vulnerabilidade perante alguém. 

Amo-te!
Não sei calar essa voz que é minha sem permissão.
Amo-te!

Tenho medo da luz e recuo da janela para a escuridão de um recanto. Olho a sala calada  em silêncio e espero que chegues. 

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