segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Como se a natureza não nos tivesse notado.

Havia no princípio do caminho
uma macieira de tronco branco,
sem folhas
e farta de frutos vermelhos.
Os tons simples das maçãs
tinham a vivência do sangue
quando sai de um músculo rasgado.
Observamo-la.

Aproximei-me, depois, pedindo-lhe um fruto.
Não me respondeu. Apanhei-o próximo!
Voltei e observamos juntos
aquele seu estoicismo simples,
de pé,
ao verter uma lágrima onde antes houve uma semente.

Quis saudar-nos, ou morrer,
e dobrou-se lentamente para o outro lado.
A força dramática do gesto acompanhou-a em silêncio,
muito próximo do limiar dos nossos sentidos.
Não se ouviram partir os ramos
ou o som lasso de um corpo que morre
caindo o baque de um último sentido.

Houve apenas a acção solitária
como se a natureza não nos tivesse notado.

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