Esperei o dia que caminhássemos
da sala de cinema, para um destino,
para segura-te a mão.
Caminhava-mos próximos,
sem diálogo,
entregues ao desejo, já pouco secreto,
de um beijo em meio momento.
Rápido como veneno que mata,
violento como a vida…
Foi quando me olhaste surpreendida
já com a pergunta feita,
ensaiada, talvez,
em silêncios:
“ porque me seguras a mão?”
Porque me tens preso? – pensei,
sem te responder.
Não travámos o caminho.
Não te respondi,
mas quis apertar mais um pouco
a mão que se entregava,
juntando-nos.
Amas-me? – perguntei, quase sem tom,
a palavra dita,
por fora de uma respiração assertiva.
Olhaste-me, inteira,
comprimindo no peito a ânsia.
A respiração esqueceu-se.
Tive subitamente uma bala no coração.
O sangue explodia em mim com força,
com vida,
com certeza.
Abracei-te num beijo demorado.
Amei-te!
Amei-te, com as forças que fazem arder o sol,
como quem tenha, então, respirado
depois de quase se afogar.
Essas foram as verdades que tive!
O momento que senti.
A vida que em ti renasceu,
nos teus lábios,
no meu peito!
Perguntei-me ,
na dispersão do meu ser,
se eras, afinal, o universo que procurava,
ou a prisão onde não quis ser empregue.
Como um homem que subitamente
toma em braços o filho que nasce
e ganha o medo do mundo
e a força de mil ensinamentos.
Esqueci a previsão de um erro intencional
que se assumiu sob a forma de sonho.
E, sonhando,
desenhei o meu caminho,
junto dos teus passos.