Visitei um velho escriba
que antes da idade fez parte do meu passado.
Escutei-o quando o olhei na entrada
e senti que queria soltar alguns sentidos seus,
senti uma necessidade brava no seu entender…
Tereis de mentir
ao mártir que vier ao teu encontro!
Contar-lhe o que será o seu desejo fervente
deixando-o, depois,
partir com o seu deus fraseado nos dentes,
com a sua cura na cova da boa vontade.
Porás, depois, no firmamento o olhar,
a procura de um saber concreto
e dirás baixinho: não quero mais escrever!
Será hora de findar a letra
de um caderno rasurado em continuidade?
Se as palavras se consomem frenéticas,
se os assertos não coincidem com o desejo
e o sentido foge do anseio
então é hora!
À sua frente pousada, meia folha escrita
existe.
Há nela um sofrimento calado por dentro,
por cada palavra rasurada
um sentido se esvai sem acabamento.
De meio livro se aproxima
uma alma que se rebaixa e consome
querendo compreender nos pormenores
todo o gesto que deve descrever uma vida.
Sem comentários:
Enviar um comentário