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domingo, 23 de dezembro de 2012

Bonito...


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Olho a ilha sonhando...


De longe em longe uma terra
e o mar a estender-se para o horizonte.

É dia mas cai o sol 
e a noite vem silenciosa do outro lado da vila.
Do cais avisto a saudade do meu passado
e o desejo do meu presente.

Olho a ilha sonhando...

sábado, 9 de junho de 2012

terça-feira, 27 de março de 2012

Carta descontinuada ao mundo… ao teu mundo. 2


E se eu decidisse dizer-te todas as barbaridades que se movem como uma massa gigante e densa sobe o meu inconsciente? Explicar-te que nem tudo na vida se resume a impulsos. Que a única coisa que conseguiste, afinal, foi tornares-te numa pessoa barata… Desprezível!
Não sei até que ponto tudo isto ganha a minha sinceridade e reflecte a tua realidade mas conheço estas palavras desde que acordei.
E a raiva que sinto por tudo… Se te pudesse abraçar…
A primeira vez que li Ricardo Reis achei-o assustado perante os frutos da vida e hoje reconheço tanto valor nas suas palavras que me sinto vergar.

“Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
    Nem fomos mais do que crianças.”

Ao menos se cumprirmos a promessa calada de não mais olharmo-nos o rio fluirá. Triste, chegará à sua foz e perder-se-á no oceano que banha a minha terra e as pessoas saberão de mim, de nós, sem nos conhecerem os nomes.
Alguém escutará o seu bramido nas tardes de inverno e poderá dizer que algo nos tem calado. E não saberão escutar os que te confessam…
E quando finalmente o mar acalmar eu estarei em casa.
Quando o mar acalmar tu estarás com as flores mortas no teu regaço. Com a lágrima de arrependimento mais viva ainda e um casaco esvoaçando junto à barragem, por cima das rochas, onde nasceu a nossa, minha, dor.
Onde enlaçamos as mãos… 



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um dia, se tu quiseres...


Um dia rendemo-nos as evidências
e partilhamos um beijo que começa a tornar-se denso de o pensar.
Um dia damos as mãos
e, caminhando, alcançaremos o nosso destino,
a nossa vontade, o nosso desejo.
Um dia, se tu quiseres…


Ilustração de Carolina Ascensão

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma realidade desejada em algum momento


A algazarra do dia passa,
passando a sombra,
a vida,
um espaço que surge por dentro
daquilo que sou
ou fui, ou quis ter sido.
Esse alguém que me abraçou sem ter existido,
esse vento que espalhou as folhas que nunca escrevi.

Fui buscar ao quarto lembranças
que guardei,
escritas,
descritas memórias de nós,
e então pensei em tudo não o que aprendi contigo
mas aquilo que de mim partiu em reflexo.
Amei-te sozinho
como a um ensaio de vida
que te aborda o coração.

Senti, então, a escuridão crua
por um amor que ousei
sem sofrer,
imaginando,
findou o dia.

Sinto falta da tua pele quente
e do modo suave de me olhares.
Sinto saudades
por entre o meu exagero
e uma realidade desejada em algum momento.


Ilustração de Carolina Ascensão