domingo, 8 de maio de 2011

P.S.

P.S.
É viciante lembrar-te para viver!

Tenho medo...

Tenho medo,
não me quero mexer e obrigam-me.
Balança o mundo.
Não me mexo...


Quando o planeta gira
gasta muito do equilíbrio que tenho.
Estou confuso, tenho medo,
não me quero mexer e faço-o!


E tudo gera mais medo e confusão
enquanto o mundo descreve mais dias sobre si mesmo!
Tenho medo, não tenho equilíbrio
e tudo gira sem razão...

Isto que é ser e amar...

Todas as evoluções são estranhas

porque a vida é estranha,
porque eu sou estranho.

Nunca soube ser diferente
e, talvez por isso,
caio constantemente no mesmo erro de querer-te,
de olhar a tua imagem repetidamente,
e amar esses quadros, cheio de sofreguidão...

Todas as evoluções são estranhas.
Concordo com tudo até cair no engano engenhoso,
no desespero de ver outra recusa
e evolou para uma dor tão só minha como de repetida.

Porque a vida é estranha
e nunca a soube compreender
dentro do seu balanço natural como tu o sabes fazer...

Porque eu sou estranho
e não me sei converter em social.

Jamais serei eu realmente porque preciso de duas caras
e arrependo-me por existir assim, múltiplo
frente a todos...

Não sou nada nem o mereço verdadeiramente
como verdadeiramente ninguém o merece.

E isso são todos os que são homens e mulheres no meu país
porque te amei um dia!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Amei-te desde então.

Ouvi distante o tempo de partir e

Tardei mais dois instantes contigo!
Perdi-me, perdi-o…
Não achei volta no comboio...

Acolheste-me.
Deste-me de pensar e sorrir
E soubeste sempre como me olhar.

Pensei, por vezes, amar-te,
Ter-te minha, a meu lado, simples.
Não perdi tempo nem ganhei demora.
Passei demasiadas vezes o pensamento pela vida
E a acção pareceu-me desconfortável.

Hoje penso com a memória
Como todos fazem, (acho),
mas só o ouso com as migalhas aguadas em tristeza.
Esta chuva fria que me molha cá dentro
Não me sabe que deixar,
não tem que não ser minha!

Amei-te desde então.

Nunca quis ser grande!

Nunca quis ser grande!
Grande parte da minha vida entendia-se entre uma vontade e algum desejo. Nunca se viu grande ambição. E hoje que tenho tudo sem ambição falha-me o amor por quere-lo.
Não sou pai nem marido, muito menos namorado ou amante. Na minha vida tudo se resume a alguns beijos decorados e algumas putas mais ou menos pagas nas vielas onde por onde me encaminhei.
Durante anos procurei atenciosa e desesperadamente por alguém que me esperasse em casa, alguém que me acordasse com um beijo sentido no rosto inchado pelo sono. Ou uma criança que ao ouvir ladrar um cão viesse correndo aconchegar-se nos meus braços com medo.
Toda a minha vida tem sido vazia e copiada como todas as vidas que conheço. Mas a falta de originalidade falha quando a tinta se destoa das restantes tintas que coloram a vida.
Escrevo por pensar pensar melhor mas continuo a achar-me oco e só.
E então paro de escrever.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tu que ousaste...

Na praia não encontrei ninguém!

Aqueles eram dias estranhos
e a maresia teimava em cegar-me.
Quis correr e uma vez tropecei.
Caí pelo tempo...

Quis levantar-me em pessoa e mais uma vez,
caí na areia.

Sonho que caio novamente e não sei distinguir
Onde termina tudo isto.
Mas anima-se meu peito
e não sei reagir
e caio novamente no sonho repetido...

Tu que ousaste,
não me deixes sozinho na tua praia!

sábado, 11 de setembro de 2010

Deixa-me amar-te ...

Deixa-me amar-te enquanto ferve vermelho
este amor que me rasga o peito
tentando fugir por onde foge o sentido.

Deixa-me amar-te por tempo indefinido
que é o que posso prometer-te neste momento,
neste instante de vida.
Agora...

Deixa-me viver em falso equilíbrio !

Então liberta a lágrima de pai

Em mãos avulsas de verdade e trabalho
ajeita um homem seu filho.
É pequeno e não chora.
Não ri.
Dorme.
E tem na presença o tamanho da comoção.


O homem olhando-o emociona-se
e sente que a vida se atiça
Em subtis vagares
ou súbitos lampejos!


Então liberta a lágrima de pai,
de filho,
de alguém que se sente ridículo para enfrentar o mundo
e defender aquela vida que jaz inconsciente no berço de vimes.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Deixaste de ser...

Abraço-te em silêncio pra não te deixar escapar.
Afastas-te.
Olhas-me e dizes sem rodeios
que tudo é verdade.
Tens o pensamento sôfrego de lembranças...

Que dizes de sermos dois sem sentido?
De não sermos um par escolhido?

Que dizes das montanhas que se levantam
e da teoria expressa pelas matérias do mistério
em que se guarda uma alma?

Purguei-me insensato de tudo
porque tudo o que quis foi verdade.
Tão contrário é a vontade de ser
que o querer não reage.

Morrem pássaros na floresta distante.
Há uma rocha que cai e quebra em ponto de sina.
Ouve alguém que ousou tudo em negra tinta
e teve a sorte amarga da consciência.

Morreram os dois de mim
dentro do espaço lasso que é o passado
- a memória!

Deixaste de ser…

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Saber-me falso

Confirma-se na alma
uma sombra de sinal que eleva,
à estupidez consciente,
uma personalidade controlada, amável!


Custa-me sempre pensar em máscaras
mas dou por mim olhando profissionalmente
para um grupo desses mentirosos conceituados
e sinto que há alguma franqueza!
Por quererem fingir encontram-se e são menos falsos
os gestos que encaram nesse instante.


Deixa-se um mundo fruir e subitamente somos psicóticos...


Quis voar e dei por mim humano.