segunda-feira, 30 de abril de 2012

O modo mais puro do nosso desejo 2

(...)
Às vezes perdemo-nos em rodeios,
definições de vida e vidas transversais
que não sabemos existir sozinhos.

O amor que surgiu, (podemos chamar-lhe assim?),
não sabe do que falamos
quando deixamos de lado as carícias
e os longos olhares em silêncio,
quando o vento já não é quente
e a noite aconchegante.

Estive prestes a ser comum tantas vezes
que tantos são os dias que conto a teu lado
e em nenhum deles duvidei da verdade do meu desejo
como o fiz
sempre que tentei planear um futuro dividido...

Relembro sempre a noite da nossa atenção
pelos sentidos ligeiros da nossa existência.
Porque a vida corre 
mas o respeito que houve nesse instante
é agora a certeza de que nunca te deixarei. 

sábado, 28 de abril de 2012

Sem um último beijo


Hoje não houve tempo 
para um último beijo ao nascer a luz do dia!
Deixaste a cama quente,
ainda,
e deitei-me por cima da tua falta.
Procurei o teu perfume novamente,
suave, nos lençóis,
e adormeci…

Voltei a sonhar… Com as nossas diferenças
e a descrença que lhes encontramos.
Não planeamos a vida
mas temos a noção de um futuro a dois.
E é essa toda a consistência do nosso presente
mesmo quando partes,
sem um último beijo
porque sei…

…voltarás.
Quando sentires presenta a minha ausência
e a distância menor,
imensidão.

Voltarás…
De maneira diferente daquela que eu conseguir imaginar
para não ferires o teu ego,

para além da tua partida!

O modo mais puro do nosso desejo


Os sorrisos tornaram-se estranhos entre nós!
Eu procurava o teu
e sem o desvendares
já me trazias a curiosidade do teu íntimo.

No meio da noite aproximei-me de ti,
abracei-te, sem nada dizer,
e ficamos, por instantes,
sabendo como os nossos corpos se complementavam.

Já não fui capaz de perguntar
quantos homens esqueceste durante a tua vida.
Tudo o que ali acontecia era espontâneo,
talvez,
o modo mais puro do nosso desejo.
Olhei o teu rosto e quis beijar-te os lábios
mas não o fiz, nesse instante…

A vida corre
mas o respeito que houve nessa hora
é agora a certeza de que nunca te deixarei. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Esta noite pensarei em ti


O vento desce frio
da serra onde habitamos os nossos corações.
Recebo-o no rosto, sem acção,
como se fosse esse o meu cilicio
por te deixar.
Não por te ter amado ou desejado.
Por te deixar!
Pelo erro que tarde reconheci,
pela aspereza da minha calma quando choraste
ao dizer adeus.

Não tenho sossego nem desespero
mas fere-me o frio que antes esquecia
quando te tinha a meu lado.

Esta noite pensarei em ti. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

E as horas alongam-se em desejar-te...


Chove!
E as horas
alongam-se em desejar-te
ao som do céu…

…lá fora.

Já não procuro os teus retratos
ou as vontades da nossa última conversa...
Minto.

Encosto-me a um canto, no quarto,
e deixo-me levar em sonhos,
em anseios,
em saudades
de quem nunca tive nos braços
e tão bem me sabe…

Desperto mudo para o meu coração
sem saber-me fiel
ou falso
quando digo que te procuro a todo o instante.

Da tarde guardo apenas a atenção
que em ti tive
enquanto não voltamos a falar. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

...sem nome nem destino.


Nunca soube ao certo porque te olhei!

Nesse dia não tinha sonhos na mão
e a noite era calma.

E tudo era ilusão
porque me senti tomado de assalto pelo teu olhar!
Não tinha mais que um sorriso para me proteger
e não soube afastar-me desse instante
em que me olhaste
sem saber-me ferir.

Um dia gostava de te falar dos sonhos que tenho
e a força que os move
contigo, comigo,
connosco,
de mão dada
por ruas sem nome nem destino.

Um dia dir-te-ei o que desejo,
o que quero
e o que a minha sinceridade deixar falar
quando souber quem és para mim.  

domingo, 8 de abril de 2012

... reconheci tudo o que em mim te lembra.


Fui até à praia
tentar sonhar-te novamente
ao olhar a rebentação das ondas,
suave.

Deixei todas as janelas abertas
para que a casa pudesse arejar,
para perder o odor a lágrimas e sono
e saudade.

Voltei já na noite
porque quis tardar nesse dia
até te encontrar.
Mas não consegui…

O cheiro da casa não era igual,
então, quis começar uma nova rotina,
um desespero mais brando,
e abri o teu livro do meu desassossego.
O teu perfume ainda existia,
lá dentro,
e nos outros livros
e na profundidade em que pertenceste à nossa casa
reconheci tudo o que em mim te lembra. 

sábado, 7 de abril de 2012

As lágrimas...


As lágrimas cumpriram-se
e à última gota
já eu tinha decidido não olhar-te.
Ou faze-lo sem o saberes. Não sei!
Quis deixar esquecidos os teus retratos.
Talvez, fosse o modo mais natural de esquecer-te
como querias.

Tentei acreditar nas tuas palavras
mas
tem sido difícil descobrir quais consentiam entendimento
com os gestos íntimos que partilhava-mos. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Um dia encontrarei a tua mão...


Um dia aceitamos a verdade que trazem os nossos corações
e esquecemos as palavras que limitam o nosso desejo 
com medo de nos voltarmos a magoar. 

Um dia vamos compreender que a distância encontrada
é, afinal, o modo de nos termos perto
até sabermos o norte que queremos seguir.

Um dia encontrarei a tua mão...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sem te conhecer... depois de te amar!

Há momentos
em que as saudades crescem rápido
como as sombras que se alongam ao morrer o dia.
E é na memória que tenho,
agora,
a única maneira de te amar...
Quando nasce a noite...

Sinto a falta dos nossos abraços,
em silêncio!
Os momentos em que não dizia-mos nada
e mais forte se tornava o gesto,
o pensamento semelhante,
o carinho que eu, então, tinha por ti
e pelo teu olhar.

E é em silêncio que te nego,
sem te falar…
Sem te conhecer…

…depois de te amar!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Não faz mal se nos magoar-mos


Não faz mal se nos magoar-mos!
Já o fizemos tantas vezes,
que tantas vezes voltamos a falar em amor
sem, afinal, termos compreendido o que queremos.

É este enleio que me tem distraído! E às vezes,
pontuando as incertezas,
traz-me saudades de um abraço nunca dado.
Sabes bem que me comovo facilmente!

Mas a distância é ainda real
e o espaço entre abraços aumentou,
no tempo, nas diferenças que parecem significativas
sempre que falamos sem nos olharmos.
E a tendência é caminhar como quem nada sabe
e nada encontra
até que, enfim, se cruzem os caminhos
que tem sido paralelos.

Em sentidos diferentes 
encontramo-nos iguais.

O mundo continua a girar… 

Quem és tu...


Quem és tu 
que me deixas adormecer sem um abraço 
e acordar sem um beijo.
Que trazes no olhar o reflexo do meu silêncio,
a interpretação partilhada dos nossos desejos
e a atenção da minha alegria.
Quem és tu...

...que tardas?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Irei esperar por ti


Os pássaros calaram-se em redor do meu mundo
e eu não tenho sabido escrever mais.

O corpo que houvera próximo partiu
e só na noite compreendi a tua ausência.
Não voltaste das tuas pequenas mentiras,
dos teu devaneios e incertezas.

Estas linhas são tardes de olhares vazios,
pensamentos repetidos até uma exaustão irreflectida
que passou ao lado da sua própria razão.

Não tenho sabido ouvir os pássaros
cantando por entre as latadas da vinha.
Ela desponta, breve e forte.
Não há ninguém que a veja além de mim!

Cresce sem trato e amarga sob o sol.
Mas um dia irei acordar e será terna e doce
e eu hei-de apanhar um cacho mais escuro
para sentar-me na beira do muro a come-lo e a sorrir,
ao fresco de uma manhã.

E irei lembrar-te mais uma vez,
falando dos pássaros que nos roubavam as uvas
enquanto nos amava-mos dentro do quarto
com vista para além das vinhas,
para além do mar ao longe,
para além do oceano distante de saudade
que me trás o pensar-te.

Até que os verões se acabem
irei esperar por ti.

Não mudes quem eu sou e o quanto gosto de ti


Nunca soubemos verdadeiramente o que fomos.
Não foi essa a nossa atenção
quando um corpo cobria o outro
e a noite cobria o mundo de ambos.

Os nossos beijos nada disseram
para além do desejo imediato e mútuo.

As escoras da minha certeza eram vãs
e tu tinhas a certeza de tudo o que eu não sabia.

Não soubemos encontrarmo-nos por teimosia
e perdi-te. Perdeste-me. Perdemo-nos…
numa tarde sem amoras nem passeios à beira do desejo.

Faz-me acreditar no contrário.
Faz-me mudar de ideias.
Mas não mudes quem eu sou e o quanto gosto de ti
mesmo que não tenhas mais certezas.

Traz a inocência que tivemos!
A minha solidão grita como as árvores que morrem,  
nas florestas,
sem ninguém que lhes oiça o fim.

Já tinha saudades nossas!


Já tinha saudades nossas!
Da nossa eterna indefinição e necessidade.
Do nosso modo absurdo de nos compreendermos
sem nos magoarmos em excesso. 
De gostarmos um do outro... 

Carta descontinuada ao mundo... ao teu mundo. 3


Acredito que, em algum momento, estas palavras terão o sabor findo de um dia mal usado. E a complexidade de tudo o que aconteceu terá uma proporção errada. Será uma questão menos existencial, se um dia leres esta folha. Porque, então, deixaste perderem-se os pormenores que faziam brotar o nosso carinho um pelo outro. Os instantes em que te segurava a mão por baixo da manta e dizia-te, com a ponta dos meus dedos na palma da tua mão, – amo-te.
Como podes dizer-me isso assim? 
Porque o sinto...
Não acreditavas no valor que eu colocava nas palavras. Fugias delas, sem o dizeres.

Já não sei os dias nem as semanas, mecânicas e mentais, desde que te descobri, verdadeira. Mas já sinto a dor branda. Ou julgo tê-la sentido, assim!
E quando finalmente a conseguir orientar para a distância necessária, vou poder sorrir ao olhar a serra.
Não acredito que me procures ou queiras saber notícias minhas. Mas o destino nunca foi algo impraticável e esta carta será a purga de todos os meus sonhos projetados, contigo.
Esta carta será o teu desassossego e o meu subterfugio emocional.
A minha indiferença sobre o teu cuidado em procurares nisto a tua redenção.  

domingo, 1 de abril de 2012

Não há razão...

Não há razão para a vida nem para a morte… 
Nem sequer para tudo isto a que chamam Humanidade!
Mas tudo tem um sentido ternurento, 
indefinido e encontrado sempre que tentamos pensa-la,
sem o dizer.