Acredito
que, em algum momento, estas palavras terão o sabor findo de um dia mal usado.
E a complexidade de tudo o que aconteceu terá uma proporção errada. Será uma
questão menos existencial, se um dia leres esta folha. Porque, então, deixaste
perderem-se os pormenores que faziam brotar o nosso carinho um pelo outro. Os
instantes em que te segurava a mão por baixo da manta e dizia-te, com a ponta
dos meus dedos na palma da tua mão, – amo-te.
Como
podes dizer-me isso assim?
Porque o sinto...
Porque o sinto...
Não
acreditavas no valor que eu colocava nas palavras. Fugias delas, sem o dizeres.
Já
não sei os dias nem as semanas, mecânicas e mentais, desde que te descobri,
verdadeira. Mas já sinto a dor branda. Ou julgo tê-la sentido, assim!
E
quando finalmente a conseguir orientar para a distância necessária, vou poder
sorrir ao olhar a serra.
Não
acredito que me procures ou queiras saber notícias minhas. Mas o destino nunca
foi algo impraticável e esta carta será a purga de todos os meus sonhos projetados,
contigo.
Esta
carta será o teu desassossego e o meu subterfugio emocional.
A
minha indiferença sobre o teu cuidado em procurares nisto a tua redenção.
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