segunda-feira, 2 de abril de 2012

Carta descontinuada ao mundo... ao teu mundo. 3


Acredito que, em algum momento, estas palavras terão o sabor findo de um dia mal usado. E a complexidade de tudo o que aconteceu terá uma proporção errada. Será uma questão menos existencial, se um dia leres esta folha. Porque, então, deixaste perderem-se os pormenores que faziam brotar o nosso carinho um pelo outro. Os instantes em que te segurava a mão por baixo da manta e dizia-te, com a ponta dos meus dedos na palma da tua mão, – amo-te.
Como podes dizer-me isso assim? 
Porque o sinto...
Não acreditavas no valor que eu colocava nas palavras. Fugias delas, sem o dizeres.

Já não sei os dias nem as semanas, mecânicas e mentais, desde que te descobri, verdadeira. Mas já sinto a dor branda. Ou julgo tê-la sentido, assim!
E quando finalmente a conseguir orientar para a distância necessária, vou poder sorrir ao olhar a serra.
Não acredito que me procures ou queiras saber notícias minhas. Mas o destino nunca foi algo impraticável e esta carta será a purga de todos os meus sonhos projetados, contigo.
Esta carta será o teu desassossego e o meu subterfugio emocional.
A minha indiferença sobre o teu cuidado em procurares nisto a tua redenção.  

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