sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Nunca houve um adeus

Devia-mos encontrarmo-nos novamente.
Não como amantes,
como conhecidos que se tivessem apercebido da presença um do outro
e então cumprimentam-se sem demoras e delicadezas.

Gostava de poder dizer-te novamente como amo os teus olhos
e o jeito calmo que tinhas de me abraçares sempre que precisava
e nem me apercebia.

Mas parece-me a acção vaga porque nunca chegaste a partir,
verdadeiramente. Nunca houve um adeus.
O vazio que então surgiu quis responder a questões caladas
e deixamo-lo crescer, impacientes e jovens.

Deixamos de nos lembrar porque o permitimos
e começo a percebe-lo como um erro.
Ainda guardo o teu lenço...

Se calhar...


Se calhar já percebemos que não nos podemos pertencer,
se calhar...

Se calhar existem dias maiores! 
Quando te procuro na memória não há tempo 
e as horas crescem ai dentro desse vazio
que é ou foi
encontrares-me a atenção. 

Se calhar não foi a escolha das palavras
ou o modo como as contei que te afastou.
Se calhar não conhecemos afinal
aquilo que temos representado como amigos ou amantes
e é constante a leveza entre duas vontades profundas.

Se calhar é tudo um desejo romantizado.
Se calhar um inconsciente que então encontrou a luz
e um sentimento mais vivo no sangue.
Se calhar..

Culpado de mim mesmo

Eu poderia ser a culpa de mim mesmo
se então consciente dos meus sonhos
pudesse trabalha-los no real. 

Naquela noite...

Naquela noite não soubemos 
conter o fogo que traziam os nossos braços
e o jeito louco de nos termos, ali.
O nevoeiro roubava a distância da janela e a chuva 
estremecia no vidro calando o mundo lá fora.

Lembrei-me de ti
hoje que a chuva voltou. 
Hoje que a chuva molhou essa memória
e eu não a soube evitar.

domingo, 23 de setembro de 2012

Adeus...


Morreste-me! Não sabiam dizer mais que isto os olhares dos amigos que choravam, que ficavam e não sabiam estar. 
E eu, que mal te conhecia, imaginava um abraço de conforto que poderias dar-lhes se tudo isto não fosse verdade. Um abraço sem explicação,  sem peso ou tempo. Um abraço que fosse teu, apenas. 

Ali apercebemo-nos da intenção pouco firme da nossa existência. O estar e já não estar entre nós é, afinal, tão mais simples e real do que queremos. 

Não por medo encontraram-me o olhar, por vezes, ganhando a certeza de que não ficaram sós. Mas não soube que dizer... Não sei conhecer a tua importância na vida dos amigos que partilhamos mas sei-a grande e é esse todo o meu respeito pelo que fizeste. 

Resta-me de ti a memória de uma capa negra caída por cima de um caixão e a inconfidência de uma lágrima que não soube evitar nesse instante. 

Adeus João

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Saber-me confuso

Não sei caber dentro da minha medida
ou medir-me por outras ideias.
Assim penso, pensei, livre.

Depois encontrei medida no que outros julgavam
e comecei a entender-me.
Não em razão mas em silêncio.
Naquele silêncio que trás mordaz a consciência
seja lá o que isso for e que nos pesa tanto por não existir,
as vezes. 

Meço-me pelo que aprendo
e conheço-me ensinando.
E é este o cabimento que tem
saber-me confuso dentro de mim.   

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Olho a ilha sonhando...


De longe em longe uma terra
e o mar a estender-se para o horizonte.

É dia mas cai o sol 
e a noite vem silenciosa do outro lado da vila.
Do cais avisto a saudade do meu passado
e o desejo do meu presente.

Olho a ilha sonhando...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Cais da Ponta do Sol



Terás sempre a força do mar banhada pelo sol
e o sal tingindo os instantes em que te lembro.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Aos dias que agora me sobram

Tarda a noite por simpatia hoje que olho o céu!

Não existem momentos mais extensos
que aqueles dentro de nós ao pensar,
quando a vida se torna difícil. 

Lembrei-me de ti!

Aos dias que agora me sobram
nego a maturidade do seu curso!
Cresci pelos erros desses tempos
não pela sua duração,
não pelo seu gesto.
É o saber-me desalinhado 
com os meus próprios princípios e desejos
que me faz outro.

E é quase sempre na noite que encontro estas certezas
quando olho o céu sem fim
lembrando-me o que aprendi contigo 
depois de partires.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Não te sei dizer simplesmente adeus

Nasceram em mim emoções imperdoáveis
quando o teu corpo se afastou nesse dia. Quis morrer! 
Como morriam as lágrimas que se soltavam dos teus olhos 
sem um gesto que as encontrasse no teu peito caindo, 
desaparecendo no fim desse fim.

Quanta pureza terá agora um pensamento de ti
que tenha nascido no entretanto? 
Quanta verdade? Quanto medo?
Não saberei escolher as palavras para aquela carta
que nunca prometi escrever 
mas que teima em fazer-se ler
sempre que imagino um reencontro.  

Não sei que atenção ainda podes querer dar
a palavras tantas vezes repetidas. 
Ou o entendimento que tenhas então encontrado
numa caligrafia rasurada por dentro da sua intenção.

Não te sei dizer simplesmente adeus.
Não deste modo.

Incertezas

São incertas as certezas de amanhã,
de hoje, 
de um passado recente, 
por sermos próximos,
o convexo da minha alma.

Olhei-te um dia
e já não eras a amiga de sempre
mas todos os meus desejos futuros.
Já não sei pensar-te sem te procurar!

E é este devaneio sem caminho 
ou gesto calado por cima do meu peito
que bate desregrado.
A natureza do teu sentido
que me tem alheio nestes dias
perdidos e sem tempo.

Olho o céu sem saberes
perguntando se será esta a minha única dúvida
enquanto te procuro.