domingo, 23 de setembro de 2012

Adeus...


Morreste-me! Não sabiam dizer mais que isto os olhares dos amigos que choravam, que ficavam e não sabiam estar. 
E eu, que mal te conhecia, imaginava um abraço de conforto que poderias dar-lhes se tudo isto não fosse verdade. Um abraço sem explicação,  sem peso ou tempo. Um abraço que fosse teu, apenas. 

Ali apercebemo-nos da intenção pouco firme da nossa existência. O estar e já não estar entre nós é, afinal, tão mais simples e real do que queremos. 

Não por medo encontraram-me o olhar, por vezes, ganhando a certeza de que não ficaram sós. Mas não soube que dizer... Não sei conhecer a tua importância na vida dos amigos que partilhamos mas sei-a grande e é esse todo o meu respeito pelo que fizeste. 

Resta-me de ti a memória de uma capa negra caída por cima de um caixão e a inconfidência de uma lágrima que não soube evitar nesse instante. 

Adeus João

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Saber-me confuso

Não sei caber dentro da minha medida
ou medir-me por outras ideias.
Assim penso, pensei, livre.

Depois encontrei medida no que outros julgavam
e comecei a entender-me.
Não em razão mas em silêncio.
Naquele silêncio que trás mordaz a consciência
seja lá o que isso for e que nos pesa tanto por não existir,
as vezes. 

Meço-me pelo que aprendo
e conheço-me ensinando.
E é este o cabimento que tem
saber-me confuso dentro de mim.   

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Olho a ilha sonhando...


De longe em longe uma terra
e o mar a estender-se para o horizonte.

É dia mas cai o sol 
e a noite vem silenciosa do outro lado da vila.
Do cais avisto a saudade do meu passado
e o desejo do meu presente.

Olho a ilha sonhando...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Cais da Ponta do Sol



Terás sempre a força do mar banhada pelo sol
e o sal tingindo os instantes em que te lembro.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Aos dias que agora me sobram

Tarda a noite por simpatia hoje que olho o céu!

Não existem momentos mais extensos
que aqueles dentro de nós ao pensar,
quando a vida se torna difícil. 

Lembrei-me de ti!

Aos dias que agora me sobram
nego a maturidade do seu curso!
Cresci pelos erros desses tempos
não pela sua duração,
não pelo seu gesto.
É o saber-me desalinhado 
com os meus próprios princípios e desejos
que me faz outro.

E é quase sempre na noite que encontro estas certezas
quando olho o céu sem fim
lembrando-me o que aprendi contigo 
depois de partires.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Não te sei dizer simplesmente adeus

Nasceram em mim emoções imperdoáveis
quando o teu corpo se afastou nesse dia. Quis morrer! 
Como morriam as lágrimas que se soltavam dos teus olhos 
sem um gesto que as encontrasse no teu peito caindo, 
desaparecendo no fim desse fim.

Quanta pureza terá agora um pensamento de ti
que tenha nascido no entretanto? 
Quanta verdade? Quanto medo?
Não saberei escolher as palavras para aquela carta
que nunca prometi escrever 
mas que teima em fazer-se ler
sempre que imagino um reencontro.  

Não sei que atenção ainda podes querer dar
a palavras tantas vezes repetidas. 
Ou o entendimento que tenhas então encontrado
numa caligrafia rasurada por dentro da sua intenção.

Não te sei dizer simplesmente adeus.
Não deste modo.

Incertezas

São incertas as certezas de amanhã,
de hoje, 
de um passado recente, 
por sermos próximos,
o convexo da minha alma.

Olhei-te um dia
e já não eras a amiga de sempre
mas todos os meus desejos futuros.
Já não sei pensar-te sem te procurar!

E é este devaneio sem caminho 
ou gesto calado por cima do meu peito
que bate desregrado.
A natureza do teu sentido
que me tem alheio nestes dias
perdidos e sem tempo.

Olho o céu sem saberes
perguntando se será esta a minha única dúvida
enquanto te procuro.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Deixamos de nos importar


Deixamos de nos importar aos poucos
e acabamos por esquecer o que era o desejo.
Acabamos sós 
juntos
sem explicação e jeito.

Não largues o meu abraço nocturno.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Podes odiar-me...


Podes odiar-me…
E as palavras que já não te dou.

Podes não querer olhar-me e dizer que sentes saudades
e eu continuarei a saber que me tens,
de certa forma, contigo.
Que ecoam em ti 
memórias dos meus devaneios.

Podemos viver de distâncias.

Eu calo-me por te perder
mas sei que vais acreditar no meu silêncio.
Sei que irás encontrar o teu caminho.

Encontrei-me...


Antigamente, eu teria no peito tristeza
ou sem jeito e beleza
uma mágoa forçada de o saber.
Fui sofrível,
por assim dizer,
e os gestos eram reais de tão falsamente repetidos
que partiram sem sentidos
ou direções que lhes desculpassem a vinda.

Encontrei-me,
julgo,
sem saber precisar o gesto imaterial.
Ainda tenho nos olhos lágrimas
por isso a realidade ainda é turva…

E se antes foi cega
não me soube dizer.