domingo, 23 de dezembro de 2012

Bonito...


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Nestas noites frias


Vou conhecendo aos poucos
aquela saudade que não sabemos ter
mas aperta-nos nestas noites frias.
Aquela saudade de te reconhecer
quando a escuridão enche o vazio do quarto
e o silêncio escuta a tua respiração,
atento.

Aprendemos a sabe-la
nestes suspenses emocionais que não desejamos.
Nestes instantes quase eternos que nos despertam.

Comecei por suspeitar
daquele pequeno suspiro que escapou
quando tentava lembrar porque não estavas comigo.
Mais tarde e agoniando em momentos mortos
descobri que precisava de ti!

Não soube dize-lo quando regressaste...

Foi essa a saudade tremenda e cínica
a minha companhia enquanto não chegavas
e a noite seguia fria
dentro do meu olhar…

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Calo-me...

Não foram as palavras que me fizeram descobrir-te
por isso calo-me ao te olhar.
Calo-me procurando a certeza de querer esse momento
e tudo o que ele representa.
E calo-me de novo ao beijar-te
por querer esquecer que terá fim.

Não quero prometer sonhos.
Prefiro que nos tenhamos em silêncio 
no acordar das manhãs frias,
dentro de um mundo particular,
abraçados ao nosso próprio intimo...

A noite alonga-se enquanto fazes-me falta
agora
e não sei dormir.

Calo-me a desenhar-te o olhar mentalmente
e deixo crescer o desejo te abraçar de novo,
cada vez com mais força.

Cala-me a certeza de te querer cada vez mais...




sábado, 24 de novembro de 2012

Já não sei desenhar o teu rosto no silêncio

Já não sei desenhar o teu rosto no silêncio
e falta a atenção de um beijo
agora que a noite torna-se fria.
Partiste por breves instantes e sinto-me só
como se o fogo de uma vela fosse
apenas,
dentro de uma escuridão
sem saber encontrar-se na própria presença.

Procuro de novo os teus lábios
pela sinceridade de uma ilusão verdadeira,
quando de novo te tento descobrir. 

Falta-me a realidade do teu rosto junto de mim,
o olhar calado de quem sabe conhecer-me,
o abraço apropriado dentro da noite...

Fazes-me falta nesta manhã!

sábado, 3 de novembro de 2012

Sem tempo para te esperar

Começo por nem me importar
quando olho o relógio sem tempo. Faltas-me!
E não sei falar por ser em silêncio o meu jeito de te querer.


A cama jaz fria sem o teu corpo nu
e o nosso cheiro a paixão. As horas...
São as noites o aconchego e a memória infinita de te amar,
a chuva que cai na vidraça morrendo sem me olhar,
o vento que sopra, sem cuidado,
o teu nome pelo meu pensamento. 

Porque demoras, procuro-te
dentro daqueles instantes só nossos,
nas sombras do relógio sem tempo para te esperar.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Porque chove...

Esta noite fria tem-me acordado
sem pudor ou cuidado
ou atenção para si mesma.
Parece vir a sua sede beber na minha solidão
todas as palavras que se esconderam do teu olhar.
Não soube falar...

Rodeia-me o frio da ideia,
do abraço em falta, do sono que tarda. 
Trazem-me, as horas, 
a apeneia de uma lucidez que nunca soube preservar.

Calo-me vendo uma lágrima minha que corre 
do lado de fora da janela onde chove 
e ninguém sabe ser minha a reluzente tristeza...
Porque chove!

Rodeia-me o frio da solidão
dentro deste quarto vazio de nós.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

As certezas negadas de nós


Não percebemos de nós mesmos e procuramos nos ideais o conforto de um entendimento ou um recosto para pensamento. Custa-nos sempre pensar um pouco mais!

Não sabemos evitar as nossas variadas paixões e trazemos para o nosso lado escuro tudo o que fuja a uma linha de conduta ideal, sonhada, desejada.
São notáveis as vezes que os reprimimos anseios para não desvirtuar uma imagem social! Porque havemos sempre de ser assim, rectos, julgamos!

Criam-se utopias sociais e leis para regular as nossas vontades. Reprimir-nos é vivermos socialmente!
Nunca saberemos ser verdadeiramente felizes nem viver socialmente de acordo com os nossos desejos. Não temos solução para isso. Não temos esse olhar de nós. Não sabemos que pensar…

Dói-me a conduta assumida por vezes... porque amo mais que aquilo que sei contar.

Afastamo-nos em dor.


Hoje senti a tua falta!
A falta de te dever amor
e o reclamares com os beijos sedentos dos teus lábios.
Faltou a presença do teu corpo nu no meu leito
e o desejo sagaz de nos acolhermos um no outro
sem palavras que dizer.

Não posso voltar aos filmes que já vimos
sem trazer ao presente o passado que teve um futuro
e perdeu-se num entretanto,
nas horas discretas de vazios e esquecimentos.

Não podíamos amar-nos sem feridas
mas afastamo-nos em dor,
em saudades antecipadas...

Se calhar foi esse todo o nosso amor
e nem o notamos.
A forma que tivemos de amar verdadeiramente
sem o saber
ou condenar sonhos para uma vida…

Hoje quis-te
como em tantas horas que tivemos, calada,
a certeza de sermos felizes.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Enquanto não chegas 2


Escrevi o teu nome no vidro transpirado da janela. As gotas escorrem dele com a gravidade que merecem as lágrimas frias. Ainda chove mas não chega para molhar a solidão cá dentro. Espero-te sentado longe de mim.

Distingo agora um vulto diferente. Perdi de novo os óculos no escritório mas sei que és tu! Caminhas leve por entre a poalha breve da chuva, sem pressa, sem vagar, sem procurar outro pensamento que chegar a casa. Pensarás em mim? 
A minha pele ganha um despertar suave e não sei se devo esperar-te junto à porta com um beijo. Parece-me a acção desajeitada para quem sempre te teve alheada. Já não sei quem sou, porque me tens preocupado deste modo… Despertei da dormência da realidade, aprendi a ver por entre o infinito? 
Amo-te!
Surge-me agora a palavra desentendida, densa, desalinhada com a entoação com que a segredei neste silêncio. Não sei desconstruir o murmúrio que se criou no vazio dos passos que dou em volta. A ensurdecedora noção de vulnerabilidade perante alguém. 

Amo-te!
Não sei calar essa voz que é minha sem permissão.
Amo-te!

Tenho medo da luz e recuo da janela para a escuridão de um recanto. Olho a sala calada  em silêncio e espero que chegues. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Enquanto não chegas

Guardo junto à janela a minha atenção para rua. Faz frio e demoras. 
Desperto o cuidar sempre que um vulto surge ao fundo da calçada. Mas percebo que não és tu e suspiro de novo.
Demoras! Nunca sei esperar-te e hoje tenho tanto para te contar... 
O relógio parou na parede e a sua sombra é visível no escuro da sala. Resta do seu tempo o tempo de o concertar enquanto não chegas. Não o faço. Não quero! Espero-te esta noite. Espero para te amar, como quem tenha voltado à superfície depois de quase se perder num oceano profundo.
Pousei junto do livro que lias uma chávena quente de café. Ainda está morna mas morre e tu não chegas. E eu, suspenso, aguardo o silêncio rompido pela tua chave na porta.  
Demoras porque me fazes falta e eu não te sei esquecer.