Os
pássaros calaram-se em redor do meu mundo
e eu
não tenho sabido escrever mais.
O
corpo que houvera próximo partiu
e só
na noite compreendi a tua ausência.
Não
voltaste das tuas pequenas mentiras,
dos teu
devaneios e incertezas.
Estas
linhas são tardes de olhares vazios,
pensamentos
repetidos até uma exaustão irreflectida
que passou ao lado da sua própria razão.
Não
tenho sabido ouvir os pássaros
cantando
por entre as latadas da vinha.
Ela
desponta, breve e forte.
Não
há ninguém que a veja além de mim!
Cresce
sem trato e amarga sob o sol.
Mas
um dia irei acordar e será terna e doce
e eu
hei-de apanhar um cacho mais escuro
para
sentar-me na beira do muro a come-lo e a sorrir,
ao fresco
de uma manhã.
E
irei lembrar-te mais uma vez,
falando
dos pássaros que nos roubavam as uvas
enquanto
nos amava-mos dentro do quarto
com vista
para além das vinhas,
para
além do mar ao longe,
para
além do oceano distante de saudade
que me
trás o pensar-te.
Até
que os verões se acabem
irei
esperar por ti.
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