segunda-feira, 2 de abril de 2012

Irei esperar por ti


Os pássaros calaram-se em redor do meu mundo
e eu não tenho sabido escrever mais.

O corpo que houvera próximo partiu
e só na noite compreendi a tua ausência.
Não voltaste das tuas pequenas mentiras,
dos teu devaneios e incertezas.

Estas linhas são tardes de olhares vazios,
pensamentos repetidos até uma exaustão irreflectida
que passou ao lado da sua própria razão.

Não tenho sabido ouvir os pássaros
cantando por entre as latadas da vinha.
Ela desponta, breve e forte.
Não há ninguém que a veja além de mim!

Cresce sem trato e amarga sob o sol.
Mas um dia irei acordar e será terna e doce
e eu hei-de apanhar um cacho mais escuro
para sentar-me na beira do muro a come-lo e a sorrir,
ao fresco de uma manhã.

E irei lembrar-te mais uma vez,
falando dos pássaros que nos roubavam as uvas
enquanto nos amava-mos dentro do quarto
com vista para além das vinhas,
para além do mar ao longe,
para além do oceano distante de saudade
que me trás o pensar-te.

Até que os verões se acabem
irei esperar por ti.

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