segunda-feira, 30 de abril de 2012

O modo mais puro do nosso desejo 2

(...)
Às vezes perdemo-nos em rodeios,
definições de vida e vidas transversais
que não sabemos existir sozinhos.

O amor que surgiu, (podemos chamar-lhe assim?),
não sabe do que falamos
quando deixamos de lado as carícias
e os longos olhares em silêncio,
quando o vento já não é quente
e a noite aconchegante.

Estive prestes a ser comum tantas vezes
que tantos são os dias que conto a teu lado
e em nenhum deles duvidei da verdade do meu desejo
como o fiz
sempre que tentei planear um futuro dividido...

Relembro sempre a noite da nossa atenção
pelos sentidos ligeiros da nossa existência.
Porque a vida corre 
mas o respeito que houve nesse instante
é agora a certeza de que nunca te deixarei. 

2 comentários:

  1. "O amor que surgiu (podemos chamar-lhe assim?),
    não sabe do que falamos
    quando deixamos de lado as carícias"
    (adorei este excerto)

    São tantas as formas de amar e tão poucas as que valem a pena, que muitas as vezes nem nós próprios as conseguimos identificar...

    Beijos
    Sónia

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  2. Percorri o seu blogue de norte a sul e vi muita qualidade, na escrita.
    Estudante? Pensei que fosse Professor de Língua Portuguesa, com afetos.
    Tudo o que escreve não é de fácil entendimento para o comum dos mortais, porque tem entrelinhas e não tem erros ortográficos, o que se vai tornando cada vez mais difícil de encontrar, pois o computador não assinala o erro de "soube-se", mas as pessoas, os autores dos textos, queriam escrever soubesse. É uma triste realidade.

    Desculpa o preâmbulo, mas é deformação profissional.
    A tua poesia, o teu desabafo é, inteligente e sensorialmente, construído e exposto.
    Não há "nuncas" nem "sempres", há "talvez", na vida real.
    Na poesia pode haver tudo, porque o nosso "eu lírico" vai na correnteza do desejo e do pensamento.

    Abraço, com luz.

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