"Se mostrarmos ao mundo todas as nossas vontades e sonhos dirão que
somos loucos. Por gostarmos de coisas aparentemente opostas, de algos que são
surpresas, de nadas supremos, de sentidos utópicos.
A sociedade não sabe conhecer um indivíduo cujo segredo se manifeste, não o sabem olhar, não o sabem ver, igual. Não o sabem entender múltiplo e é essa toda a força que arrasta para a sombra os sonhos.
Seria um erro assumirmos todos os nossos fascínios! Não nos
saberiam compreender. Não nos saberiam enquadrar.
Todos temos uma paixão secreta que quem nos conhece não saberia
compreender. Todos temos uma vontade reprimida que nos desfigura. Que nos muda
o ânimo e não sabemos mostrar ao mundo, assim, como somos.
Preferimos evita-las ou deslocar para um amigo quando falam.
Aceitam-se, apenas, encontrando esses desejos num ensaio de
personalidade, num heterónimo.
A sociedade não sabe conhecer um indivíduo cujo segredo se manifeste, não o sabem olhar, não o sabem ver, igual. Não o sabem entender múltiplo e é essa toda a força que arrasta para a sombra os sonhos.
Somos apenas uma face de nós e, por sinal, a mais fraca e feia.
Porque ser múltiplo é ser incoerente."
Texto publicado no segundo número da fanzine Lacuna, (Madeira), pag. 8.
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