Tenho
repensado o momento,
o instante,
o
contratempo que te fez partir.
E não encontro
conclusão nisto
que é ter
terminado o que não devia acabar
sendo findo
o gesto negado de te perder.
Trago
presente o gesto ineficiente de um adeus
que quiseste
deixar-me
como quem
não sabe o que sabe dizer
calando-se,
então, o seu ser.
Não te irei
procurar,
quiseste ouvir-me
e calei sem nada ter dito,
sem nada
magoar-te e a ambos convencer.
Não te irei
procurar
foi a maior
mentira da minha vida,
a resposta
curvada,
o enleio fingido
de uma saudade que morde cada vez mais
e não a sei
esconder senão nas metáforas
de uma
escrita fluída e tentada.
Poderei ser
condenado ao fim das minhas palavras
se não forem
meus os gestos que te conto
mas é neles
que te desenho as linhas leves do corpo
quando à solidão
assoma a memória do último beijo.
Sem comentários:
Enviar um comentário