Interior. Quarto. Meia tarde.
O enforcado fuma à janela
sem tempo
enquanto olha profissionalmente as pessoas
na praça que antevia.
Dá-lhes a atenção cuidada e particular
descobrindo os seus simbolismos,
e significações ocas,
os seus discursos meticulosos
as suas
representações dramaticamente sociais.
Assim tem vivido o mundo
entre si mesmo e aquilo que é.
O enforcado leva a mão à corda
e solta-a do pescoço.
Aperta a gravata e sai de casa
vivendo, talvez já arrependido,
o sufoco renovado do seu ser social.
Esta é a rotina de um enforcado
repetida.
Repetidos sem sacrilégios.
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