Será a incerteza de uma segurança,
ou o verso do seu dizer,
a nostalgia de todos os outros dias
em que olhei pela janela a rua a descer a cidade
e a manhã que amanhã seria diferente.
Estarei mais cansado,
mais velho e moribundo.
Darei alento a realidade de hoje até sempre,
para não mais voltar,
guardo a leitura da nossa memória...
...sem te conseguir olhar.
Como se fosse essa a confidência
por um arrependimento sem acção completada.
sábado, 28 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Num abraço perpétuo
Era a tua silhueta nua a roçar-me a calma
para surgir sedento
um beijo a tocar-te a alma.
Então o teu corpo recebeu, calado,
um novo jeito de abraçar.
E foi no teu peito
que derramei o meu controlo ao dizer, amo-te.
Não soube pronunciar essa palavra tão estranha
e repeti-a, compassadamente, e em voz baixa
até que na força de um novo abraço
confirmaste as palavras.
Sentimos medo
ao assumir a responsabilidade de
uma inconfidência,
a razão de um íntimo
e deixamos a nossa vontade calada
num abraço perpétuo.
Soubemos deixar-nos quando o dia nasceu
e as sombras da nossa certeza esbateram-se.
domingo, 22 de julho de 2012
A verdade é que nunca te esquecerei
A verdade é
que nunca te esquecerei.
Não pelas
saudades
mas aquilo
que de ti ficou,
aquilo que
me constrói a alma
e a vida.
Ainda lembro
o jeito de me conheceres.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
As memórias de outros
A noite
liberta-me da responsabilidade de ser lógico
e a imaginação
afunda-se num sonho desajeitado.
Ninguém me
acompanha
ou ouve
e sou um
génio perpétuo
até que
outra manhã nasça morrendo esta noite.
Relembro as
memórias esquecidas de outros
que hoje leio
em páginas amareladas de tempo.
Parecem-me
confissões eternas,
ultimatos sangrentos
de quem insulta uma guerra
para afinal
defender-se.
Não se
souberam explicar ou explicando erraram
porque as
palavras mudam em cada um
e cada um
munda conforme o seu pastor se faz entender. .
As memórias
foram
caóticas e específicas assim mesmo,
clarividências
em nós que as quisemos descobrir.
O
entendimento é que foi sendo diferente
de outros
para uns e de uns para outros
cegos sem
saberem conhecer-se.
A noite
morreu!
Volto a
cerrar os olhos
e a dormir o
sonho de 21 gramas.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Esta noite ardem as árvores da minha infância
Esta noite
arde a terra das minhas saudades.
Imagino forçadas as sombras das urzes,o cheiro salgado da maresia e os gritos de uma natureza que sofre.Gentes olhando o inferno inteiro incrédulas e incapazes.
Não posso ajuda-la! E esta lágrima, caindo,não alcançará além a chamada.
Esta noite ardem as árvores da minha infância tão violentamente como a castração de estar agora longe sem acção.
Imagino forçadas as sombras das urzes,o cheiro salgado da maresia e os gritos de uma natureza que sofre.Gentes olhando o inferno inteiro incrédulas e incapazes.
Não posso ajuda-la! E esta lágrima, caindo,não alcançará além a chamada.
Esta noite ardem as árvores da minha infância tão violentamente como a castração de estar agora longe sem acção.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Há a falta de ti no cheiro da minha roupa
Esqueci como
são os teus lábios!
Sei-os
aveludados, mordazes
mas o jeito
suave de me arrebatarem a vida…
Esse jeito
esqueci-o
contra todos
os meus esforços.
As saudades
não nos encorajaram a revive-los
como faziam
os dias de calor desse verão perdido.
Não houve
uma ponte que nos unisse
desde então
até hoje que nos
sentimos,
sós.
Olho o fumo
solitário que sobe,
o cigarro mudo sem razão
e depreendo um
outro universo, meu,
sobre o qual
crio o que os meus sentidos sabem saber.
Há a falta de ti no cheiro da minha roupa,
o abraço matinal de resistência ao mundo.
Há a fragilidade de um meu segredo
por estas horas.
Palavras inauditas
Não são os
beijos que prometemos
a razão do
nosso encontro
ou a certeza
de um desejo.
São as
palavras que escutamos na noite
quando as
certezas são poucas,
quando o destino
não é próprio
e as
saudades de um outro mundo grandes.
Sabemos ler
as entrelinhas sem o confessar
do mesmo
modo que fomos alheios sem nos conhecer.
domingo, 15 de julho de 2012
Escuridão
Tenho medo
da escuridão!
Não quero
vê-la mas a sua força,
o seu jeito,
o seu
silêncio inoculo que traz-me o seu presente.
E eu que não
sei sonhar
aconchego-me
no sofrimento calado de a conhecer.
Tenho medo
da escuro
dos dias
perdidos…
Dos tempos
mortos,
da vida que
existe, apenas.
Trago sempre
uma noção de caos
que completa
esse vazio
como um
louco que atira vento de um farol,
inútil.
E a luz que
produzo imaginando agora…
O dia tarda.
A noite
cansa.
A vida
acontece sem demais coragem
que esta de
estar a pensar e escreve-la.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Um adeus marinheiro
Elas correm.
Ó deus, como correm
pequenas e
lúcidas
as lágrimas
no meu rosto.
Amparo-as em
mãos
como se as
soubesse manter,
inteiras,
na sua razão
original.
A dor é toda
e o destino preciso
para a vida
que tenho,
ainda.
Parte do
porto o último navio velho
da
navegação,
dos
continentes onde habitei
na ilusão de
uma ida definitiva e inteira.
Partes
deixando memória da tua presença
nos olhares
dos homens,
dos peixes
que sobrevoaste,
na calçada
de ondas moventes,
de ventos
repentes.
Partes
novamente de longe
e eu não te
sei alcançar o mover
com que
deixas atrás as ondas a ferver.
Partes
novamente de longe
sem eu te
poder acompanhar.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
A Ilusão de ser
Sabes sentir o mundo ao teu jeito
mas desdobram-te
em éticas
e aprendes a
ser comum.
Responder como
todos o fazem
publicamente!
Sabes
desafiar os sonhos
mas nunca
soubeste equilibrar a vontade com o desejo!
Terminas a
ilusão do teu próprio ser
aconchegado na
certeza de uma conduta correcta
aos teus
olhos cegos.
A tua
verdade é a tua mentira
e a tua
mentira é o que te magoa em silêncio.
Não sabes
ser próprio!
A tua dívida
de saberes toma-te submerso em razões
como se
soubesses ameaçar o mundo com o teu sentimento.
Não sabes
ser
a tua
verdade.
Um sonho...
Nunca
sabemos negar um sonho
até que
conhecemos a nossa realidade
ou a verdade
do nada que
podemos .
Os sonhos
confundem-nos!
São fáceis
de encontrar,
cativam-nos
a alma para depois se dispersarem
quando é
menos viva a vontade e o trabalho
ou a sorte
de os saber manter,
serenos.
Mas é
tremenda a excitação
sabe-los
amar na noite acordados.
Sentir
cumprido um feitio
do defeito
que fazemos da vida,
a nobreza de
uma alegria
que cabe no
peito como uma paixão antiga.
E se o
esforço foi falível
maior é o
ardor dessa comoção,
mais calma é
a explosão dita.
Quem nunca
cumpriu um sonho
não viveu
com saberes secretos!
terça-feira, 10 de julho de 2012
Começamos a saber-nos
Começamos a
conhecermo-nos pelas palavras,
pelas
ideias,
pelos
sonhos que dizemos avistar
nas
miragens de um ego em crescentes retracções.
Maturidade?!
Começamos a
saber-nos
um pouco
mais além da imagem,
dos
sentidos,
dos
equívocos
alongados
pelas madrugadas.
Não soube
pensar-te e és tanto do meu desejo
que tenho
na distância a agonia de não te encontrar.
Aprendi a querer amar-te menos...
Começo a
escutar o som vazio desta casa
e entendo
sempre conhecer-te a respiração
de tão
profundamente escutada.
Lembro
conhecer-te o jeito elegante de beijar,
o carinho de
um murmúrio,
a indecisão
de me quereres abraçar
sempre que
eu te olhava
calado nesses instantes.
calado nesses instantes.
Aprendi a
querer amar-te menos nesses momentos,
no
entretanto que fomos,
na esperança
que desconhecemos e abraçamos
sem sentido ou
religião.
Aprendi a
sentir-te na falta,
nos beijos
que relembro,
na saudade
que tivesse dia
para na
noite despedir-me, sem mágoa, do teu corpo.
Aprendi a
saber-te ausente
ainda que
continuem a cair,
límpidas e
dormentes, lágrimas de saudade do meu rosto.
Teremos sempre a esperança de um romance
Calculei que
não me quisesses encontrar
quando
entraste na sombra do afastamento.
Não soube dizer,
preciso de
ti,
deixando os
códigos éticos de parte,
as regras do
bom senso,
a absorção
de um sentimento cáustico
a quem me
dei,
demo-nos,
nessas tardes
infinitas
de um presente passado.
Não sabemos
conhecermo-nos além disto
que é
escrever para sonhar
e amar sem
mais um beijo quente.
Teremos sempre a esperança de um romance,
distante por estes momentos.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Caem poeiras de vidas...
Tenho memórias
de não te ter
e anseios
dentro de um passado que agora escrevo
como quem
deve um sorriso cúmplice
ou um beijo
nunca esquecido.
Caem poeiras
de vidas
ao longo do
tempo em que não te falo
e tenho o
jeito ligeiro de as soprar,
passando...
Disse não
dize-lo a mim mesmo
para ti que escutas
calada
e atenta
as divagações
que tenho no teu sonho.
Acorda!
Acorda e acaba com a
realidade em que te afogam,
com a
solidão de um facto ridículo,
com a
teimosia cega de preconceitos.
Acorda
porque tenho
pesadelos.
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