quinta-feira, 19 de julho de 2012

As memórias de outros


A noite liberta-me da responsabilidade de ser lógico
e a imaginação afunda-se num sonho desajeitado.
Ninguém me acompanha
ou ouve
e sou um génio perpétuo
até que outra manhã nasça morrendo esta noite.

Relembro as memórias esquecidas de outros
que hoje leio em páginas amareladas de tempo.
Parecem-me confissões eternas,
ultimatos sangrentos de quem insulta uma guerra
para afinal defender-se.
Não se souberam explicar ou explicando erraram
porque as palavras mudam em cada um
e cada um munda conforme o seu pastor se faz entender. .

As memórias
foram caóticas e específicas assim mesmo,
clarividências em nós que as quisemos descobrir.
O entendimento é que foi sendo diferente
de outros para uns e de uns para outros
cegos sem saberem conhecer-se.

A noite morreu!
Volto a cerrar os olhos
e a dormir o sonho de 21 gramas. 

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