Caminhava
não rua, já não sei em direcção ao quê, e fui abordado por uma ideia. Ao início
pareceu-me um pouco desprezível. Tentei não dar-lhe atenção e continuar o meu
percurso. Encara-la rapidamente como se ponderasse por um segundo a hipótese de
escuta-la e depois, num rápido acordo silencioso, diria que não valia a pena a
acção. E continuaríamos em sentidos opostos.
Foi
isto que quis fazer mas não consegui.
Parei no meio da rua a olha-la. Não havia nada que me fizesse escuta-la mas não consegui mover-me e ela aproximou-se mais, devagar, estranha.
Parei no meio da rua a olha-la. Não havia nada que me fizesse escuta-la mas não consegui mover-me e ela aproximou-se mais, devagar, estranha.
Não houve
perguntas nem justiças. A ideia tomou-me por completo enquanto caminhava
arrastando um passado para ... Soltei-o, instintivamente. Ou pelo
instinto do que adivinhava, pelo que me dizia a ideia cá por dentro.
O
passado pesa nos sonhos que adias… Não penses mais nela!
E como
se subitamente ganhasse nova energia comecei a caminhar. Tornou-se pequena a
distração e então entendi ser mais que aquilo a que me reduzi. Tive a
noção e a consciência que existe mais em mim do que os outros me sabem.
Agora
caminho breve, até que saiba para onde vou.