O cinza do ferro caia a
manhã,
triste,
e abrem-se os portões do dia.
Não há vento, há compasso, há
movimento
nas ruas que descem, agora.
Os homens sem rosto caminham
julgando a acção completa,
vivendo em contrário ao sentimento. Resignam-se.
Ferem-se por dentro com
destreza.
Julgam a vida que conseguem,
por analogia,
aquela que teria o futuro
se sonhassem,
um pouco mais
além dos muros daquilo que
conhecem.
O assobio da fábrica
estremece em surdina, distante.
Abre-se o complexo,
da fábrica,
e os homens caminham
sem palavras que lhes
confortem os desejos,
as ideias de vida invocadas mas logo negadas, sem pedido.
Na realidade de caminharem
resignados
encontram-se mais calados
ainda.
A revolução funciona dentro
deles
como contracção mental,
como pano quente que encontra
latejante o músculo,
enganando-o,
até que o tempo esqueça a dor.
Mas o tempo prolonga-se e o
sonho mantêm-se.
E tornam à fábrica,
vazios…
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