sexta-feira, 16 de março de 2012

Os loucos anos vinte


Os soldados da primeira grande guerra regressam a casa. As mulheres saem das fábricas, bélicas, e, sem que tivessem um cão que lhes enxugasse as lágrimas; decidiram que viveriam.
Sobreviventes e testemunhas sociais frente a um sistema político afundado em erros, ainda assim o mais capaz, decidiram que há mais no mundo que apenas trabalho.

Existem as famílias e os amigos, existem novos países, novas pessoas e ideias, existem… Existe uma sociedade!

Agora as horas que não são dedicadas ao labor gastam-se em passeios, nas esplanadas dos cafés, recentes, nos aniversários dos vizinhos… Não que antes nada disto acontecesse mas, agora, o prazer dedicado a tudo isto é menos ensombrado pela fatalidade da vida, ou então, aproveitado como se fossem os últimos dias. Como quem adivinhasse uma outra guerra. Um novo pensamento imposto, forçado! “O trabalho liberta,” dirão alguns, depois, sem noção do próprio erro.

As pessoas, frente a toda a sua brevidade, optam por viver a felicidade sempre guardada “para ocasiões especiais”.

Mudou-se a mentalidade, exageradamente, talvez; mas surgiram então os fundamentos da nossa individualidade e o mundo ganhou uma consciência universal.


Texto publicado na primeira edição da Revista Lacuna, (Madeira), pag. 12 .

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