Os soldados da primeira grande guerra
regressam a casa. As mulheres saem das fábricas, bélicas, e, sem que tivessem
um cão que lhes enxugasse as lágrimas; decidiram que viveriam.
Sobreviventes e testemunhas sociais
frente a um sistema político afundado em erros, ainda assim o mais capaz,
decidiram que há mais no mundo que apenas trabalho.
Existem as famílias e os amigos,
existem novos países, novas pessoas e ideias, existem… Existe uma sociedade!
Agora as horas que não são dedicadas
ao labor gastam-se em passeios, nas esplanadas dos cafés, recentes, nos
aniversários dos vizinhos… Não que antes nada disto acontecesse mas, agora, o
prazer dedicado a tudo isto é menos ensombrado pela fatalidade da vida, ou
então, aproveitado como se fossem os últimos dias. Como quem adivinhasse uma
outra guerra. Um novo pensamento imposto, forçado! “O trabalho liberta,” dirão
alguns, depois, sem noção do próprio erro.
As pessoas, frente a toda a sua
brevidade, optam por viver a felicidade sempre guardada “para ocasiões
especiais”.
Mudou-se a mentalidade,
exageradamente, talvez; mas surgiram então os fundamentos da nossa
individualidade e o mundo ganhou uma consciência universal.
Texto publicado na primeira edição da Revista Lacuna, (Madeira), pag. 12 .
Texto publicado na primeira edição da Revista Lacuna, (Madeira), pag. 12 .
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