E se
eu decidisse dizer-te todas as barbaridades que se movem como uma massa gigante
e densa sobe o meu inconsciente? Explicar-te que nem tudo na vida se resume a
impulsos. Que a única coisa que conseguiste, afinal, foi tornares-te numa
pessoa barata… Desprezível!
Não
sei até que ponto tudo isto ganha a minha sinceridade e reflecte a tua
realidade mas conheço estas palavras desde que acordei.
E a
raiva que sinto por tudo… Se te pudesse abraçar…
A
primeira vez que li Ricardo Reis achei-o assustado perante os frutos da vida e
hoje reconheço tanto valor nas suas palavras que me sinto vergar.
“Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.”
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.”
Ao
menos se cumprirmos a promessa calada de não mais olharmo-nos o rio fluirá.
Triste, chegará à sua foz e perder-se-á no oceano que banha a minha terra e as
pessoas saberão de mim, de nós, sem nos conhecerem os nomes.
Alguém
escutará o seu bramido nas tardes de inverno e poderá dizer que algo nos tem
calado. E não saberão escutar os que te confessam…
E
quando finalmente o mar acalmar eu estarei em casa.
Quando
o mar acalmar tu estarás com as flores mortas no teu regaço. Com a lágrima de
arrependimento mais viva ainda e um casaco esvoaçando junto à barragem, por
cima das rochas, onde nasceu a nossa, minha, dor.
Onde enlaçamos as mãos…
Onde enlaçamos as mãos…
Sem comentários:
Enviar um comentário