domingo, 23 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Nestas noites frias
Vou
conhecendo aos poucos
aquela
saudade que não sabemos ter
mas aperta-nos
nestas noites frias.
Aquela
saudade de te reconhecer
quando
a escuridão enche o vazio do quarto
e o
silêncio escuta a tua respiração,
atento.
Aprendemos
a sabe-la
nestes
suspenses emocionais que não desejamos.
Nestes
instantes quase eternos que nos despertam.
Comecei
por suspeitar
daquele
pequeno suspiro que escapou
quando
tentava lembrar porque não estavas comigo.
Mais
tarde e agoniando em momentos mortos
descobri
que precisava de ti!
Não soube dize-lo quando regressaste...
Foi
essa a saudade tremenda e cínica
a minha
companhia enquanto não chegavas
e a
noite seguia fria
dentro
do meu olhar…
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Calo-me...
Não foram as palavras que me fizeram descobrir-te
por isso calo-me ao te olhar.
Calo-me procurando a certeza de querer esse momento
e tudo o que ele representa.
E calo-me de novo ao beijar-te
por querer esquecer que terá fim.
Não quero prometer sonhos.
Prefiro que nos tenhamos em silêncio
no acordar das manhãs frias,
dentro de um mundo particular,
abraçados ao nosso próprio intimo...
A noite alonga-se enquanto fazes-me falta
agora
e não sei dormir.
Calo-me a desenhar-te o olhar mentalmente
e deixo crescer o desejo te abraçar de novo,
cada vez com mais força.
Cala-me a certeza de te querer cada vez mais...
por isso calo-me ao te olhar.
Calo-me procurando a certeza de querer esse momento
e tudo o que ele representa.
E calo-me de novo ao beijar-te
por querer esquecer que terá fim.
Não quero prometer sonhos.
Prefiro que nos tenhamos em silêncio
no acordar das manhãs frias,
dentro de um mundo particular,
abraçados ao nosso próprio intimo...
A noite alonga-se enquanto fazes-me falta
agora
e não sei dormir.
Calo-me a desenhar-te o olhar mentalmente
e deixo crescer o desejo te abraçar de novo,
cada vez com mais força.
Cala-me a certeza de te querer cada vez mais...
sábado, 24 de novembro de 2012
Já não sei desenhar o teu rosto no silêncio
Já não sei desenhar o teu rosto no silêncio
e falta a atenção de um beijo
agora que a noite torna-se fria.
Partiste por breves instantes e sinto-me só
como se o fogo de uma vela fosse
apenas,
dentro de uma escuridão
sem saber encontrar-se na própria presença.
Procuro de novo os teus lábios
pela sinceridade de uma ilusão verdadeira,
quando de novo te tento descobrir.
Falta-me a realidade do teu rosto junto de mim,
o olhar calado de quem sabe conhecer-me,
o abraço apropriado dentro da noite...
Fazes-me falta nesta manhã!
e falta a atenção de um beijo
agora que a noite torna-se fria.
Partiste por breves instantes e sinto-me só
como se o fogo de uma vela fosse
apenas,
dentro de uma escuridão
sem saber encontrar-se na própria presença.
Procuro de novo os teus lábios
pela sinceridade de uma ilusão verdadeira,
quando de novo te tento descobrir.
Falta-me a realidade do teu rosto junto de mim,
o olhar calado de quem sabe conhecer-me,
o abraço apropriado dentro da noite...
Fazes-me falta nesta manhã!
sábado, 3 de novembro de 2012
Sem tempo para te esperar
Começo por nem me importar
quando olho o relógio sem tempo. Faltas-me!
E não sei falar por ser em silêncio o meu jeito de te querer.
A cama jaz fria sem o teu corpo nu
e o nosso cheiro a paixão. As horas...
São as noites o aconchego e a memória infinita de te amar,
a chuva que cai na vidraça morrendo sem me olhar,
o vento que sopra, sem cuidado,
o teu nome pelo meu pensamento.
Porque demoras, procuro-te
dentro daqueles instantes só nossos,
nas sombras do relógio sem tempo para te esperar.
quando olho o relógio sem tempo. Faltas-me!
E não sei falar por ser em silêncio o meu jeito de te querer.
A cama jaz fria sem o teu corpo nu
e o nosso cheiro a paixão. As horas...
São as noites o aconchego e a memória infinita de te amar,
a chuva que cai na vidraça morrendo sem me olhar,
o vento que sopra, sem cuidado,
o teu nome pelo meu pensamento.
Porque demoras, procuro-te
dentro daqueles instantes só nossos,
nas sombras do relógio sem tempo para te esperar.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Porque chove...
Esta noite fria tem-me acordado
sem pudor ou cuidado
ou atenção para si mesma.
Parece vir a sua sede beber na minha solidão
todas as palavras que se esconderam do teu olhar.
Não soube falar...
Rodeia-me o frio da ideia,
do abraço em falta, do sono que tarda.
Trazem-me, as horas,
a apeneia de uma lucidez que nunca soube preservar.
Calo-me vendo uma lágrima minha que corre
do lado de fora da janela onde chove
e ninguém sabe ser minha a reluzente tristeza...
Porque chove!
Rodeia-me o frio da solidão
dentro deste quarto vazio de nós.
sem pudor ou cuidado
ou atenção para si mesma.
Parece vir a sua sede beber na minha solidão
todas as palavras que se esconderam do teu olhar.
Não soube falar...
Rodeia-me o frio da ideia,
do abraço em falta, do sono que tarda.
Trazem-me, as horas,
a apeneia de uma lucidez que nunca soube preservar.
Calo-me vendo uma lágrima minha que corre
do lado de fora da janela onde chove
e ninguém sabe ser minha a reluzente tristeza...
Porque chove!
Rodeia-me o frio da solidão
dentro deste quarto vazio de nós.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
As certezas negadas de nós
Não
percebemos de nós mesmos e procuramos nos ideais o conforto de um entendimento ou
um recosto para pensamento. Custa-nos sempre pensar um pouco mais!
Não
sabemos evitar as nossas variadas paixões e trazemos para o nosso lado escuro
tudo o que fuja a uma linha de conduta ideal, sonhada, desejada.
São notáveis
as vezes que os reprimimos anseios para não desvirtuar uma imagem social! Porque
havemos sempre de ser assim, rectos, julgamos!
Criam-se
utopias sociais e leis para regular as nossas vontades. Reprimir-nos é vivermos
socialmente!
Nunca
saberemos ser verdadeiramente felizes nem viver socialmente de acordo com os
nossos desejos. Não temos solução para isso. Não temos esse olhar de nós. Não sabemos que
pensar…
Dói-me a conduta assumida por vezes... porque amo mais que aquilo que sei contar.
Afastamo-nos em dor.
Hoje
senti a tua falta!
A falta
de te dever amor
e o
reclamares com os beijos sedentos dos teus lábios.
Faltou
a presença do teu corpo nu no meu leito
e o desejo
sagaz de nos acolhermos um no outro
sem palavras
que dizer.
Não
posso voltar aos filmes que já vimos
sem trazer
ao presente o passado que teve um futuro
e
perdeu-se num entretanto,
nas
horas discretas de vazios e esquecimentos.
Não podíamos
amar-nos sem feridas
mas afastamo-nos
em dor,
em saudades
antecipadas...
Se
calhar foi esse todo o nosso amor
e nem
o notamos.
A
forma que tivemos de amar verdadeiramente
sem o
saber
ou condenar
sonhos para uma vida…
Hoje
quis-te
como
em tantas horas que tivemos, calada,
a certeza de sermos felizes.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Enquanto não chegas 2
Distingo
agora um vulto diferente. Perdi de novo os óculos no escritório mas sei que és
tu! Caminhas leve por entre a poalha breve da chuva, sem pressa, sem vagar, sem
procurar outro pensamento que chegar a casa. Pensarás em mim?
A
minha pele ganha um despertar suave e não sei se devo esperar-te junto à porta
com um beijo. Parece-me a acção desajeitada para quem sempre te teve alheada.
Já não sei quem sou, porque me tens preocupado deste modo… Despertei da dormência da realidade, aprendi a ver por entre o infinito?
Amo-te!
Surge-me
agora a palavra desentendida, densa, desalinhada com a entoação com que a
segredei neste silêncio. Não sei desconstruir o murmúrio que se criou no vazio dos passos que dou em volta. A ensurdecedora noção de vulnerabilidade perante alguém.
Amo-te!
Não sei calar essa voz que é minha sem permissão.
Amo-te!
Não sei calar essa voz que é minha sem permissão.
Amo-te!
Tenho medo da luz e recuo da janela para a escuridão de um recanto. Olho a sala calada em silêncio e espero que chegues.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Enquanto não chegas
Guardo junto à janela a minha atenção para rua. Faz frio e demoras.
Desperto o cuidar sempre que um vulto surge ao fundo da calçada. Mas percebo que não és tu e suspiro de novo.
Demoras! Nunca sei esperar-te e hoje tenho tanto para te contar...
O relógio parou na parede e a sua sombra é visível no escuro da sala. Resta do seu tempo o tempo de o concertar enquanto não chegas. Não o faço. Não quero! Espero-te esta noite. Espero para te amar, como quem tenha voltado à superfície depois de quase se perder num oceano profundo.
Pousei junto do livro que lias uma chávena quente de café. Ainda está morna mas morre e tu não chegas. E eu, suspenso, aguardo o silêncio rompido pela tua chave na porta.
Demoras porque me fazes falta e eu não te sei esquecer.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
O nosso destino não é ficar
cheguei até ti
e perdi a incerteza que tinha no meu próprio querer.
Dá-me a mão!
Caminhe-mos, juntos,
para lá dos nossos limites pessoais.
Para lá das amarras que nos tinham ancorados.
O nosso destino não é ficar...
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Abraça-me esta noite
Não me abandones esta noite!
Guarda-me no teu íntimo
como a uma emoção que de mansinho te agrade.
Esta noite quero adormecer olhando os teus olhos
e as sombras inversas deste futuro. Abraça-me!
Não te direi mais nada!
Em silêncio posso contar-te os meus segredos,
se me deres a tua mão e eu souber desenhar-lhe
tudo o que será deste amor inaudito.
Abraça-me esta noite.
Guarda-me no teu íntimo
como a uma emoção que de mansinho te agrade.
Esta noite quero adormecer olhando os teus olhos
e as sombras inversas deste futuro. Abraça-me!
Não te direi mais nada!
Em silêncio posso contar-te os meus segredos,
se me deres a tua mão e eu souber desenhar-lhe
tudo o que será deste amor inaudito.
Abraça-me esta noite.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Nunca houve um adeus
Devia-mos encontrarmo-nos novamente.
Não como amantes,
como conhecidos que se tivessem apercebido da presença um do outro
e então cumprimentam-se sem demoras e delicadezas.
Gostava de poder dizer-te novamente como amo os teus olhos
e o jeito calmo que tinhas de me abraçares sempre que precisava
e nem me apercebia.
Mas parece-me a acção vaga porque nunca chegaste a partir,
verdadeiramente. Nunca houve um adeus.
O vazio que então surgiu quis responder a questões caladas
e deixamo-lo crescer, impacientes e jovens.
Deixamos de nos lembrar porque o permitimos
e começo a percebe-lo como um erro.
Ainda guardo o teu lenço...
Não como amantes,
como conhecidos que se tivessem apercebido da presença um do outro
e então cumprimentam-se sem demoras e delicadezas.
Gostava de poder dizer-te novamente como amo os teus olhos
e o jeito calmo que tinhas de me abraçares sempre que precisava
e nem me apercebia.
Mas parece-me a acção vaga porque nunca chegaste a partir,
verdadeiramente. Nunca houve um adeus.
O vazio que então surgiu quis responder a questões caladas
e deixamo-lo crescer, impacientes e jovens.
Deixamos de nos lembrar porque o permitimos
e começo a percebe-lo como um erro.
Ainda guardo o teu lenço...
Se calhar...
Se calhar já percebemos que não nos podemos pertencer,
se calhar...
Se calhar existem dias maiores!
Quando te procuro na memória não há tempo
e as horas crescem ai dentro desse vazio
que é ou foi
encontrares-me a atenção.
Se calhar não foi a escolha das palavras
ou o modo como as contei que te afastou.
Se calhar não conhecemos afinal
aquilo que temos representado como amigos ou amantes
e é constante a leveza entre duas vontades profundas.
Se calhar é tudo um desejo romantizado.
Se calhar um inconsciente que então encontrou a luz
e um sentimento mais vivo no sangue.
Se calhar..
Culpado de mim mesmo
Eu poderia ser a culpa de mim mesmo
se então consciente dos meus sonhos
pudesse trabalha-los no real.
se então consciente dos meus sonhos
pudesse trabalha-los no real.
Naquela noite...
Naquela noite não soubemos
conter o fogo que traziam os nossos braços
e o jeito louco de nos termos, ali.
O nevoeiro roubava a distância da janela e a chuva
estremecia no vidro calando o mundo lá fora.
Lembrei-me de ti
hoje que a chuva voltou.
Hoje que a chuva molhou essa memória
e eu não a soube evitar.
conter o fogo que traziam os nossos braços
e o jeito louco de nos termos, ali.
O nevoeiro roubava a distância da janela e a chuva
estremecia no vidro calando o mundo lá fora.
Lembrei-me de ti
hoje que a chuva voltou.
Hoje que a chuva molhou essa memória
e eu não a soube evitar.
domingo, 23 de setembro de 2012
Adeus...
E eu, que mal te conhecia, imaginava um abraço de conforto que poderias dar-lhes se tudo isto não fosse verdade. Um abraço sem explicação, sem peso ou tempo. Um abraço que fosse teu, apenas.
Ali apercebemo-nos da intenção pouco firme da nossa existência. O estar e já não estar entre nós é, afinal, tão mais simples e real do que queremos.
Não por medo encontraram-me o olhar, por vezes, ganhando a certeza de que não ficaram sós. Mas não soube que dizer... Não sei conhecer a tua importância na vida dos amigos que partilhamos mas sei-a grande e é esse todo o meu respeito pelo que fizeste.
Resta-me de ti a memória de uma capa negra caída por cima de um caixão e a inconfidência de uma lágrima que não soube evitar nesse instante.
Adeus João
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Saber-me confuso
Não sei caber dentro da minha medida
ou medir-me por outras ideias.
Assim penso, pensei, livre.
Depois encontrei medida no que outros julgavam
e comecei a entender-me.
Não em razão mas em silêncio.
Naquele silêncio que trás mordaz a consciência
seja lá o que isso for e que nos pesa tanto por não existir,
as vezes.
Meço-me pelo que aprendo
e conheço-me ensinando.
E é este o cabimento que tem
saber-me confuso dentro de mim.
ou medir-me por outras ideias.
Assim penso, pensei, livre.
Depois encontrei medida no que outros julgavam
e comecei a entender-me.
Não em razão mas em silêncio.
Naquele silêncio que trás mordaz a consciência
seja lá o que isso for e que nos pesa tanto por não existir,
as vezes.
Meço-me pelo que aprendo
e conheço-me ensinando.
E é este o cabimento que tem
saber-me confuso dentro de mim.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Olho a ilha sonhando...
De longe em longe uma terra
e o mar a estender-se para o horizonte.
É dia mas cai o sol
e a noite vem silenciosa do outro lado da vila.
Do cais avisto a saudade do meu passado
e o desejo do meu presente.
Olho a ilha sonhando...
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Aos dias que agora me sobram
Tarda a noite por simpatia hoje que olho o céu!
Não existem momentos mais extensos
que aqueles dentro de nós ao pensar,
quando a vida se torna difícil.
Lembrei-me de ti!
Aos dias que agora me sobram
nego a maturidade do seu curso!
Cresci pelos erros desses tempos
não pela sua duração,
não pelo seu gesto.
É o saber-me desalinhado
com os meus próprios princípios e desejos
que me faz outro.
E é quase sempre na noite que encontro estas certezas
quando olho o céu sem fim
lembrando-me o que aprendi contigo
depois de partires.
Não existem momentos mais extensos
que aqueles dentro de nós ao pensar,
quando a vida se torna difícil.
Lembrei-me de ti!
Aos dias que agora me sobram
nego a maturidade do seu curso!
Cresci pelos erros desses tempos
não pela sua duração,
não pelo seu gesto.
É o saber-me desalinhado
com os meus próprios princípios e desejos
que me faz outro.
E é quase sempre na noite que encontro estas certezas
quando olho o céu sem fim
lembrando-me o que aprendi contigo
depois de partires.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Não te sei dizer simplesmente adeus
Nasceram em mim emoções imperdoáveis
quando o teu corpo se afastou nesse dia. Quis morrer!
Como morriam as lágrimas que se soltavam dos teus olhos
sem um gesto que as encontrasse no teu peito caindo,
desaparecendo no fim desse fim.
Quanta pureza terá agora um pensamento de ti
que tenha nascido no entretanto?
Quanta verdade? Quanto medo?
Não saberei escolher as palavras para aquela carta
que nunca prometi escrever
mas que teima em fazer-se ler
sempre que imagino um reencontro.
Não sei que atenção ainda podes querer dar
a palavras tantas vezes repetidas.
Ou o entendimento que tenhas então encontrado
numa caligrafia rasurada por dentro da sua intenção.
Não te sei dizer simplesmente adeus.
Não deste modo.
quando o teu corpo se afastou nesse dia. Quis morrer!
Como morriam as lágrimas que se soltavam dos teus olhos
sem um gesto que as encontrasse no teu peito caindo,
desaparecendo no fim desse fim.
Quanta pureza terá agora um pensamento de ti
que tenha nascido no entretanto?
Quanta verdade? Quanto medo?
Não saberei escolher as palavras para aquela carta
que nunca prometi escrever
mas que teima em fazer-se ler
sempre que imagino um reencontro.
Não sei que atenção ainda podes querer dar
a palavras tantas vezes repetidas.
Ou o entendimento que tenhas então encontrado
numa caligrafia rasurada por dentro da sua intenção.
Não te sei dizer simplesmente adeus.
Não deste modo.
Incertezas
São incertas as certezas de amanhã,
de hoje,
de um passado recente,
por sermos próximos,
o convexo da minha alma.
Olhei-te um dia
e já não eras a amiga de sempre
mas todos os meus desejos futuros.
Já não sei pensar-te sem te procurar!
E é este devaneio sem caminho
ou gesto calado por cima do meu peito
que bate desregrado.
A natureza do teu sentido
que me tem alheio nestes dias
perdidos e sem tempo.
Olho o céu sem saberes
perguntando se será esta a minha única dúvida
enquanto te procuro.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Deixamos de nos importar
Deixamos
de nos importar aos poucos
e
acabamos por esquecer o que era o desejo.
Acabamos
sós
juntos
juntos
sem explicação
e jeito.
Não
largues o meu abraço nocturno.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Podes odiar-me...
Podes
odiar-me…
E as
palavras que já não te dou.
Podes
não querer olhar-me e dizer que sentes saudades
e eu
continuarei a saber que me tens,
de certa
forma, contigo.
Que
ecoam em ti
memórias dos meus devaneios.
memórias dos meus devaneios.
Podemos
viver de distâncias.
Eu calo-me
por te perder
mas
sei que vais acreditar no meu silêncio.
Sei
que irás
encontrar o teu caminho.
Encontrei-me...
Antigamente,
eu teria no peito tristeza
ou sem
jeito e beleza
uma mágoa
forçada de o saber.
Fui sofrível,
por
assim dizer,
e os
gestos eram reais de tão falsamente repetidos
que partiram
sem sentidos
ou direções
que lhes desculpassem a vinda.
Encontrei-me,
julgo,
sem saber
precisar o gesto imaterial.
Ainda
tenho nos olhos lágrimas
por isso
a realidade ainda é turva…
E se
antes foi cega
não
me soube dizer.
Dentro da noite
É dentro da
noite
que minto a
mim mesmo ao esquecer-te.
Porque soube
não te perder
e é errado
amar-te.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Não soube voltar.
A
cada linha escrita
perco-me um pouco mais
como
quem tivesse de engolir o sol
e
não lhe encontrasse razão.
Chamaram-me e não soube voltar.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Não me julgues...
Despi de razões a consciência ao te amar
querendo mais que o teu desejo
um abraço sem memória de acabar.
Não
me julgues as palavras
ou
os sentimentos que te dei a beber.
Não
lhes soube tirar a pureza vontade
e
a verdade que o olhar encontrava.
Não soube esconde-las,
esconder-me...
Eu era ingénuo e a vida
forte demais para as minhas certezas.
esconder-me...
Eu era ingénuo e a vida
forte demais para as minhas certezas.
Não me julgues por te ter amado!
sábado, 11 de agosto de 2012
Desafio-te a partires-me o coração
As
conversas ganharam à-vontade
e
a pureza dos sonhos partilhados
nunca
antes.
Ganharam uma energia própria,
uma razão inaudita, talvez.
Tivemos medo de a pensar.
Então quiseste provar-me a coragem num desses momentos
quando
eu já te dizia que gostava de ti.
Desafio-te a partires-me o coração,
ouvi-te
sorrindo.
Peguei-te
na mão a aproximar de ti o meu desejo
e
olhando-te a atenção beijei-te.
Beijaste-me,
beijamo-nos num “finalmente aconteceu”.
Como
se fosse essa
a
inevitável força de tanger duas almas que se encontram
ou
o jeito perdido de conhecer a vida.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Fecharam a fábrica
Fecharam a fábrica!
Soube quando, cruzando a
última esquina de um destino agora adiado, encontrei na rua as pessoas caladas.
Vistas cansadas e tristes que olhavam as horas procurando explicações, uma
frase de alento ou uma ponta de mentira naquilo tudo.
Aproximei-me já em passo
desapertado e vagueando o chão com o olhar. Ao meu lado surgiu um colega que me
encontrou a atenção para depois escapar-se num suspiro sem alento. Não soube
encara-lo e não era isso mais que o seu desejo, um instinto ético.
Ficamos assim por
instantes sabendo não saber salvar-nos dessa verdade.
Metemos mãos aos bolsos a
trabalhar num jeito de nada fazer, esperando, e fomos sentarmo-nos do outro lado
da estrada, de onde se podia olhar o portão do complexo e, além do gradeamento,
a fábrica de que nada mais tínhamos. Permanecia calada e familiar e não
soubemos odia-la.
Pequena ia a filha de
alguém com quem trabalhei e parou. Pararam ambos, olhando-se, um de olhar
vazio, outro cheio de lágrimas. Abraçaram-se sem poder nada contra esse momento,
contra a imposta realidade.
A pequena não chorava,
chorando-lhe a alma que portava o pai. Ela pequena encolhia-se no seu colo
agarrando com força a camisa destoada. Não tinha noção do que fazia mas a
consciência desse sentimento era todo seu.
Faltava, agora, à escola.
Passaram momentos e tempos e a criança tornou-se no pai daquele homem. Era
saturante o amor que ela lhe dava ao limpar com a mão pequena lágrimas adultas
e fartas que lhe escorriam no rosto.
Houve um momento em que a
espera sebastiana ganhou noção de si mesma e todos partiram do portão do
complexo.
A pequena perdeu um pai
firme em certezas mas ganhou uma compreensão adulta. O homem perdeu o trabalho
mas encontrou a razão da sua tristeza, o amor que o fazia esforçar-se, que lhe
dava o norte e sorriu quando voltou a casa, nesse dia.
E eu, que perdi também o
trabalho, encontro conforto em saber como se rege o mundo. Como são ínfimas as
certezas que levamos para o destino e como aprendemos na dor o que no desafogo
esquecemos, muitas vezes.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Os dias em Lisboa
Deixamos
para trás Lisboa
e as ruas
para
seguirmos caminho.
E
a certeza que tínhamos levada
era
a de não esquece-la
ou
assombra-la com o tempo.
Há
dias em que me ponho a pensa-la
mas
não a encontro sem
ti
a correr para um eléctrico
ou de uma hora inesperada.
As
saudades encontram-se,
nessas
tardes, nas esplanadas,
no sabor de uma alegria retornada,
no jeito que houve em perpetua-la.
Ao entardecer
Agora, no tardar do dia,
da
noite,
devemos
calar num beijo
as
confissões que em silencio se teem feito ver,
nos
olhares.
Se
me quiseres dar a mão
poderei
narrar como te tenho sonhado nestas
noites
em que estivemos longe.
Se
me quiseres abraçar,
enfim…
Fica
próxima da minha atenção
e dar-te-ei o cuidado que tive
a descobrir um entardecer na ponta do sol.
Se me quiseres querer...
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Nem nos sabemos olhar
Tardamos a conhecer-nos
e o mundo apartou-se do nosso alcance.
Vivemos de memórias,
de incertezas,
de jeitos inacabados de nos receber
que nem nos sabemos olhar, sequer,
para lá de um ego degastado à tua forma.
Começamos a findar percepção de um carinho,
sem sabe-lo maior,
conhecemos o teu abraço certo
e a certeza do seu desejo.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
No alpendre
Naqueles dias pedias silêncio
até que conseguisses escutar-me o peito.
E a noite regressava com as certezas que não percebias,
como uma palavra que ainda não tivesse sido inventada
para falar de nós.
Havia sempre uma brisa breve no alpendre
e as lâmpadas a absorverem, nuas, a escuridão,
a sombra completa de um destino.
Eu olhava-te com os braços à volta do teu corpo
e recordava o sabor da tua boca.
Sorrias.
Sorrias...
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
O sol, o mar e as memórias
Foi
este o sol que me cresceu
quando jovem adormecido
nas costas de um futuro sem traço,
no tom de um sentido.
Trago de seu o mar
no rosto, nos olhos a brilhar,
no gesto que soube ser meu,
na voz que parece faltar.
o mundo tem de ser falível.
Como sabemos olhar-nos calados…
quando jovem adormecido
nas costas de um futuro sem traço,
no tom de um sentido.
Trago de seu o mar
no rosto, nos olhos a brilhar,
no gesto que soube ser meu,
na voz que parece faltar.
Então
guardo, cego, essas memórias
para
saber sorrir,o mundo tem de ser falível.
Como sabemos olhar-nos calados…
sábado, 28 de julho de 2012
A rua a descer a cidade
Será a incerteza de uma segurança,
ou o verso do seu dizer,
a nostalgia de todos os outros dias
em que olhei pela janela a rua a descer a cidade
e a manhã que amanhã seria diferente.
Estarei mais cansado,
mais velho e moribundo.
Darei alento a realidade de hoje até sempre,
para não mais voltar,
guardo a leitura da nossa memória...
...sem te conseguir olhar.
Como se fosse essa a confidência
por um arrependimento sem acção completada.
ou o verso do seu dizer,
a nostalgia de todos os outros dias
em que olhei pela janela a rua a descer a cidade
e a manhã que amanhã seria diferente.
Estarei mais cansado,
mais velho e moribundo.
Darei alento a realidade de hoje até sempre,
para não mais voltar,
guardo a leitura da nossa memória...
...sem te conseguir olhar.
Como se fosse essa a confidência
por um arrependimento sem acção completada.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Num abraço perpétuo
Era a tua silhueta nua a roçar-me a calma
para surgir sedento
um beijo a tocar-te a alma.
Então o teu corpo recebeu, calado,
um novo jeito de abraçar.
E foi no teu peito
que derramei o meu controlo ao dizer, amo-te.
Não soube pronunciar essa palavra tão estranha
e repeti-a, compassadamente, e em voz baixa
até que na força de um novo abraço
confirmaste as palavras.
Sentimos medo
ao assumir a responsabilidade de
uma inconfidência,
a razão de um íntimo
e deixamos a nossa vontade calada
num abraço perpétuo.
Soubemos deixar-nos quando o dia nasceu
e as sombras da nossa certeza esbateram-se.
domingo, 22 de julho de 2012
A verdade é que nunca te esquecerei
A verdade é
que nunca te esquecerei.
Não pelas
saudades
mas aquilo
que de ti ficou,
aquilo que
me constrói a alma
e a vida.
Ainda lembro
o jeito de me conheceres.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
As memórias de outros
A noite
liberta-me da responsabilidade de ser lógico
e a imaginação
afunda-se num sonho desajeitado.
Ninguém me
acompanha
ou ouve
e sou um
génio perpétuo
até que
outra manhã nasça morrendo esta noite.
Relembro as
memórias esquecidas de outros
que hoje leio
em páginas amareladas de tempo.
Parecem-me
confissões eternas,
ultimatos sangrentos
de quem insulta uma guerra
para afinal
defender-se.
Não se
souberam explicar ou explicando erraram
porque as
palavras mudam em cada um
e cada um
munda conforme o seu pastor se faz entender. .
As memórias
foram
caóticas e específicas assim mesmo,
clarividências
em nós que as quisemos descobrir.
O
entendimento é que foi sendo diferente
de outros
para uns e de uns para outros
cegos sem
saberem conhecer-se.
A noite
morreu!
Volto a
cerrar os olhos
e a dormir o
sonho de 21 gramas.
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